sábado, 6 de agosto de 2016

S. Teresa Benedita de Cruz, Virgem e mártir, Padroeira da Europa - 09.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) é, com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena, Padroeira da Europa. Filha de judeus, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891. Procurando ansiosamente a verdade, dedicou-se ao estudo da Filosofia até que encontrou a fé católica e se converteu. Muito a ajudou a leitura da autobiografia de Santa Teresa de Jesus: “Esta é a verdade!”, exclamou. Fez-se batizar em Janeiro de 1922. Prosseguiu o estudo e o ensino da Filosofia, procurando encontrar o modo de unir ciência e fé. Em 1933, entrou para o convento das Carmelitas de Colónia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz e servindo os seus irmãos judeus e alemães. Em 1938 foi transferida para a Holanda, por causa da perseguição nazi. Acabou por ser presa, a 2 de Agosto de 1942, pela Gestapo, em represália a um comunicado dos Bispos dos Países Baixos contra as deportações dos judeus. Foi morta nas câmaras de gás, em Auschwitz-Birkenau (Polónia), a 9 de Agosto do mesmo ano. Assim, recebeu a coroa do martírio. Foi canonizada pelo Papa João Paulo II, em 1998.



Lectio


Primeira leitura: Oseias 2, 16b.17b.21-22

Eis o que diz o Senhor: Hei-de conduzir Israel ao deserto e falar-lhe ao coração. 17Aí, corresponderá como no tempo da sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egipto.21”Então, - diz o Senhor - te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com amor e misericórdia. 22Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o Senhor”.
         
Oseias, em nome de Deus, proferiu as mais fortes diatribes contra o seu povo, que já não é sua mulher, nem Ele seu marido, anunciando-lhe os mais terríveis castigos. Mas, continuando a falar em nome de Deus, o profeta deixa vir ao de cima a sua ternura e o seu amor para afirmar que o Senhor não pode deixar de amar a esposa, novamente prostituída. Tal como o segundo casamento do profeta fora sua iniciativa, assim Deus livremente se dispõe a um novo casamento com o seu povo prostituído, a uma nova aliança. Uma nova experiência de deserto afastará o povo dos deuses cananeus, permitindo um novo encontro a sós com Deus, que pagará o respetivo dote. Israel poderá fiar-se de Deus e confiar nele. Mais ainda: poderá conhecê-lo, fazer experiência dele. É sobretudo esta graça de intimidade com Deus, que cumula de bens os que a aceitam, que a nossa leitura quer sublinhar na festa de S. Teresa Benedita da Cruz.


Evangelho: Mateus 25, 1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: 1«O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. 2Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. 3As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; 4enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias. 5Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6A meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ 7Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias. 8As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.’ 9Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’ 10Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta. 11Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ 12Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ 13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

Santa Teresa Benedita da Cruz foi uma das virgens que souberam esperar vigilantes a vinda do Esposo. Assim mereceu participar na boda onde só entram as jovens prudentes. As insensatas ficaram fora, não porque adormeceram: todas adormecem, todas são frágeis. Não entraram porque não estavam preparadas para a missão, não contaram com o eventual atraso do noivo. Ele não deixará de vir a qualquer momento. A seriedade desse momento exige uma preparação pessoal insubstituível.


Meditatio

Pensamos que a melhor proposta de meditação para hoje nos é oferecida pela santa que celebramos. Por isso, transcrevemos um texto recolhido nos seus escritos: “Para os que creem no Crucificado abre-se a porta da vida. Cristo tomou sobre Si o jugo da Lei, cumprindo plenamente a Lei e morrendo pela Lei e através da Lei. Assim libertou da Lei aqueles que querem receber d’Ele a vida. Mas eles sabem que só poderão recebê-la se ofereceram a sua própria vida. Porque os que foram batizados em Cristo foram batizados na sua morte. Submergiram-se na vida de Cristo, para se tornarem membros do seu Corpo, destinados a sofrer e a morrer com Ele, mas também a ressuscitar com Ele para a vida eterna, a vida divina. Para nós, evidentemente, esta vida atingirá a sua plenitude no Dia do Senhor. Contudo, já desde agora – «na carne» – participamos da sua vida quando acreditamos: acreditamos que Cristo morreu por nós para nos dar a sua vida. É esta fé que nos permite ser uma só realidade com Ele, como os membros com a cabeça, e nos abre a torrente da sua vida. Assim, esta fé no Crucificado – a fé viva, que está associada ao vínculo do amor – constitui para nós a entrada na vida e o princípio da futura glorificação. Por isso a cruz é o nosso único título de glória: Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Quem decidiu aderir a Cristo morreu para o mundo e o mundo para ele. Leva no seu corpo os estigmas do Senhor. É débil e desprezado perante os homens; mas por isso mesmo é forte, porque na fraqueza se manifesta o poder de Deus. Tendo consciência disto, o discípulo de Jesus aceita não somente a cruz que lhe é imposta, mas crucifica-se a si mesmo: Os que são de Cristo crucificaram a sua carne com as suas paixões e concupiscências. Suportaram um combate implacável contra a sua natureza, a fim de que morra neles a vida do pecado e dê lugar à vida do espírito. Porque é esta que importa. Contudo a cruz não é um fim em si mesma: ela eleva-nos para as alturas e revela-nos as realidades superiores. Por isso ela não é somente um símbolo; ela é a arma poderosa de Cristo; é o cajado de pastor com que o divino David sai ao encontro do David infernal e com o qual bate fortemente à porta do Céu e a abre. Então brotam as torrentes da luz divina que envolvem todos aqueles que seguem o Crucificado”


Oratio

Senhor, Deus dos nossos pais, que conduzistes a mártir Teresa Benedita ao conhecimento do vosso Filho crucificado e à sua imitação até à morte, concedei que, pela sua intercessão, todos os homens conheçam o Salvador, Jesus Cristo, e por Ele cheguem à perpétua visão do vosso rosto. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen (coleta da Missa).


Contemplatio

Também nós devemos levar a nossa cruz. Foi o próprio Senhor que nos deu esse preceito: «Quem não leva a sua cruz, não é digno de mim», diz-nos. Não devemos, acaso, conformar-nos com o nosso chefe? Se Nosso Senhor escolheu a cruz, é porque ela é boa, é porque é necessária. Ela repara e apaga o pecado. Adquire as graças; e em nós, ela comprime as paixões e enfraquece-as. É tão necessária, que Nosso Senhor fez dela a medida da nossa glória. Quando nos vier julgar, o sinal da redenção planará no céu. Os que se tiverem conformado com a cruz serão salvos. Aliás toda a vida está semeada de cruz, aí está a condição da nossa vida mortal desde a queda de Adão. Seria uma loucura não aproveitar destas ocasiões de reparação e de mérito. Como é que devemos levar a cruz? Primeiro com resignação,como Jesus, que dizia sem cessar: «Meu Pai, que a vossa vontade seja feita e não a minha!» - Com confiança na graça de Jesus Cristo que nos ajudará a levar a cruz. - Com alegria, porque a cruz é o caminho do céu. - Com amor sobretudo, porque a cruz nos torna semelhantes a Jesus Cristo, porque a nossa generosidade consola o Coração de Jesus e une-nos ao Salvador na sua obra redentora, porque as nossas cruzes, levadas com coragem são fontes de graças para todas as nossas obras, para todas as almas que nós recomendamos a Nosso Senhor. (Leão Dehon, OSP 3, p. 359s.).

Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14ª).


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S. Teresa Benedita de Cruz, Virgem e mártir,  Padroeira da Europa (09 Agosto)
Fonte http://www.dehonianos.org/

19º Domingo do Tempo Comum - Ano C - 07.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
ANO C
19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 19º Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus que a liturgia de hoje nos propõe convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “Reino”.
A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “sábio” anónimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade “vigilante”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.
A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.
O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “Reino”.


LEITURA I – Sab 18,6-9

Leitura do Livro da Sabedoria

A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto
foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados,
para que, sabendo com certeza
a que juramentos tinham dado crédito,
ficassem cheios de coragem.
Ela foi esperada pelo vosso povo,
como salvação dos justos e perdição dos ímpios,
pois da mesma forma que castigastes os adversários,
nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós.
Por isso os piedosos filhos dos justos
ofereciam sacrifícios em segredo
e de comum acordo estabeleceram esta lei divina:
que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos;
e começaram a cantar os hinos de seus antepassados.

AMBIENTE

O “Livro da Sabedoria” é uma obra de um autor anónimo, redigida na primeira metade do séc. I a.C., provavelmente em Alexandria – um dos centros culturais mais importantes da Diáspora judaica. Dirigindo-se aos judeus (que vivem mergulhados num ambiente de idolatria e de imoralidade), o autor faz o elogio da “sabedoria” israelita, a fim de animar os israelitas fiéis e fazer voltar ao bom caminho os que tinham abandonado os valores da fé judaica; dirigindo-se aos pagãos, o autor (que se exprime em termos e concepções do mundo helénico, para que a sua mensagem chegue a todos) apresenta-lhes a superioridade da cultura e da religião israelitas, ridicularizando os ídolos e convidando, implicitamente, à adesão a essa fé mais pura que é a fé judaica.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte do livro (Sab 10,1-19,22). Aí, recorrendo a factos concretos e a exemplos de figuras tiradas da história, o autor exalta as maravilhas operadas pela “sabedoria” na história do Povo de Deus. Nos últimos capítulos desta terceira parte (Sab 16-19), passando do geral ao particular, o autor mostra como a própria natureza divinizada pelos ímpios se volta contra eles, enquanto que essa mesma natureza se torna salvação para o Povo de Deus… O cenário desta reflexão é a comparação entre o que um dia (na altura do Êxodo) aconteceu aos egípcios e o que, em contrapartida, aconteceu ao Povo de Deus: as pragas de animais castigaram os egípcios, mas as codornizes foram alimento para os israelitas (cf. Sab 16,1-4); as moscas e gafanhotos atormentaram os egípcios, mas a serpente de bronze erguida por Moisés no deserto salvou o Povo de perecer (cf. Sab 16,5-15); as chuvas e a saraiva destruíram as culturas egípcias, mas o maná alimentou o Povo de Deus (cf. Sab 16,15-29); as trevas cegaram os egípcios que perseguiam os israelitas, mas a coluna de fogo iluminou a caminhada do Povo de Deus para a liberdade (cf. Sab 17,1-18,4); os primogénitos dos egípcios foram mortos, mas Deus salvou a vida do seu Povo (cf. Sab 18,5-25)…

MENSAGEM

O nosso texto refere-se, em concreto, à noite em que foram mortos os primogénitos dos egípcios, à noite do êxodo (cf. Ex 12,29-30). O autor interpreta essa noite (cf. Sab 18,5) como a “resposta de Deus” ao decreto do faraó que ordenava a matança das crianças hebreias do sexo masculino (cf. Ex 1,22). Para os egípcios, foi uma noite trágica, de ruína, de pesadelo, de destruição, de morte e de luto; para os judeus, foi uma noite de salvação, de glória e de louvor do Deus libertador. Na perspectiva do autor deste texto, Deus não só esteve na origem da libertação mas, através de Moisés, fez saber com antecedência aos hebreus os acontecimentos da noite pascal (cf. Ex 12,21-28), a fim de que eles ganhassem ânimo. Tudo isto foi entendido pelo Povo como acção de Deus.
Confrontado com a actuação de Deus em favor do seu Povo, Israel encontrou forma de responder a Jahwéh e de Lhe manifestar o seu louvor e agradecimento: os sacrifícios (aqui faz-se alusão ao sacrifício do cordeiro pascal, entendido como celebração da libertação operada por Deus), a solidariedade (o autor faz remontar a este momento do Êxodo as leis sobre a participação de todas as tribos na conquista – cf. Nm 32,16-24 – e sobre a partilha igual dos despojos – cf. Nm 31,27; Jos 22,8), o cântico de hinos (alusão ao Hallel – Sal 113-118 – cantados todos os anos durante a ceia pascal) definem a resposta do Povo à acção de Deus.
A conclusão é óbvia: enquanto que os egípcios – que divinizavam a natureza e que corriam atrás dos deuses falsos – se deixaram conduzir por esquemas de opressão e de injustiça e receberam de Jahwéh o justo castigo, os israelitas – fiéis a Jahwéh e à Lei, que sempre louvaram Deus e Lhe agradeceram seus dons e benefícios – viram Deus a actuar em seu favor e encontraram a liberdade e a paz.

ACTUALIZAÇÃO

Considerar os seguintes desenvolvimentos:

• A leitura chama a atenção para a diferença que há entre o viver de acordo com os valores da fé e o viver de acordo com propostas quiméricas de felicidade e de bem-estar… O “sábio” que nos fala na primeira leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que a cedência aos deuses do egoísmo e da injustiça gera sofrimento e morte. Hoje, como ontem, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida… Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? Na cedência ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correcto”, ou na fidelidade aos valores duradouros, aos valores do Evangelho, ao projecto de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem?

• O tema da liturgia deste domingo gira à volta da “vigilância”. Não se trata de estar sempre com “a alminha em paz”, “na graça de Deus” para que a morte não me surpreenda e eu não seja atirado, sem querer, para o inferno; trata-se de eu saber o que quero, de ter ideias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, actuar em conformidade. É esta “vigilância” serena, de quem sabe o que quer e está atento ao caminho que percorre, que me é pedida. É esse o caminho que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma busca atenta do que Deus quer de mim?

• O autor do “Livro da Sabedoria” descreve a resposta do Povo à acção libertadora de Deus como celebração, solidariedade, louvor e acção de graças. Diante do Deus libertador, que todos os dias intervém na minha vida e que me aponta caminhos de vida plena e de felicidade, sinto também a vontade de celebrar, de amar, de comungar, de louvar, como resposta ao amor de Deus?


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)

Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-l’O.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor,
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.


LEITURA II – Heb 11,1-2.8-19

Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos:
A fé é a garantia dos bens que se esperam
e a certeza das realidades que não se vêem.
Ela valeu aos antigos um bom testemunho.
Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento
e partiu para uma terra que viria a receber como herança;
e partiu sem saber para onde ia.
Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida,
habitando em tendas, com Isaac e Jacob,
herdeiros, como ele, da mesma promessa,
porque esperava a cidade de sólidos fundamentos,
cujo arquitecto e construtor é Deus.
Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe
já depois de passada a idade,
porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu.
É por isso também que de um só homem
- um homem que a morte já espreitava –
nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu
e como a areia que há na praia do mar.
Todos eles morreram na fé,
sem terem obtido a realização das promessas.
Mas vendo-as e saudando-as de longe,
confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
Aqueles que assim falam
mostram claramente que procuram uma pátria.
Se pensassem na pátria de onde tinham saído,
teriam tempo de voltar para lá.
Mas eles aspiravam a uma pátria melhor,
que era a pátria celeste.
E como Deus lhes tinha preparado uma cidade,
não Se envergonha de Se chamar seu Deus.
Pela fé, Abraão, submetido à prova,
ofereceu o seu filho único Isaac,
que era o depositário das promessas,
como lhe tinha sido dito:
«Por Isaac será assegurada a tua descendência».
Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos;
por isso, numa espécie de prefiguração,
ele recuperou o seu filho.

AMBIENTE

A Carta aos Hebreus é um texto anónimo, escrito nos anos que antecederam a destruição do Templo de Jerusalém (ano 70). Destina-se a comunidades cristãs (de origem judaica?) em que a generosidade dos inícios dera lugar ao cansaço, ao tédio, ao desinteresse e que, por causa das perseguições e da hostilidade dos não crentes, estavam expostas ao desalento e ao retrocesso na sua caminhada cristã. Neste contexto, o autor pretende apresentar aos crentes um estímulo, no sentido de aprofundar a vocação cristã, até à identificação total com Cristo.
A carta apresenta – recorrendo à linguagem da teologia judaica – o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência – através de quem os homens têm acesso livre a Deus e são inseridos na comunhão real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequência, para reflectir nas implicações desse facto: postos em relação com o Pai por Cristo/sacerdote, os crentes são inseridos nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã e devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos cristãos um aprofundamento e uma ampliação da fé primitiva, capaz de revitalizar a experiência de fé, enfraquecida pela acomodação e pela perseguição.
O texto que nos é proposto está incluído na quarta parte da epístola (cf. Heb 11,1-12,13). Nessa parte, o autor insiste em dois aspectos básicos da vida cristã: a fé e a constância ou perseverança. No que diz respeito à fé, o autor convida a percorrer o caminho dos “antigos” (cf. Heb 11,1-40); no que diz respeito à constância, exorta a aceitar com paciência os sofrimentos que a vida do cristão comporta, pois esses sofrimentos fazem parte das provas pedagógicas através das quais Deus nos faz chegar à perfeição (cf. Heb 12,1-13).

MENSAGEM

A exposição começa com a descrição da fé, aqui entendida como a “garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem” (Heb 11,1). A “fé” é, nesta perspectiva, posta em relação com a esperança; ela dirige-se ao futuro e ao invisível. Alguns autores entendem esta “garantia” (“hypóstasis”) no sentido de “firme confiança” (Lutero, Erasmo e numerosos autores recentes). A fé seria, nesta perspectiva, a firme confiança na possessão dos bens futuros, invisíveis por agora. É uma perspectiva diferente (embora complementar) da que transparece nos textos paulinos, onde a fé é, sobretudo, a adesão a Jesus – quer dizer, o estabelecimento de uma relação pessoal entre os crentes e o Senhor.
Na sequência, o autor vai apresentar uma autêntica galeria de figuras vétero-testamentárias que, por terem vivido na fé e da fé, são modelo para todos os crentes.
Em concreto, o nosso texto apresenta-nos as figuras de Abraão e de Sara. Pela fé, Abraão acolheu o chamamento de Deus, deixou a sua casa e partiu ao encontro do desconhecido e do incómodo; pela fé, Abraão aceitou estabelecer-se numa terra estranha e aí habitar; pela fé, Sara pôde conceber e dar à luz Isaac, apesar da sua avançada idade; pela fé, Abraão não duvidou quando Deus o mandou sacrificar, no alto de um monte, o filho Isaac, o herdeiro das promessas e o continuador da descendência… Abraão não viu concretizar-se a promessa da posse da terra, nem a promessa de um povo numeroso; mas, pela fé, ele contemplou antecipadamente a realização das promessas de Deus, “saudando-as de longe”. Assim, Abraão assumiu a sua condição de peregrino e estrangeiro, ansiando constantemente pela cidade futura, e caminhando ao encontro do céu, a sua pátria definitiva. É precisamente esse exemplo que o autor da carta quer propor a esses cristãos perseguidos e desanimados: vivam na fé, esperando a concretização dos dons futuros que Deus vos reserva e caminhem pela vida como peregrinos, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva.

ACTUALIZAÇÃO

Para a reflexão, considerar os seguintes desenvolvimentos:

• O autor deste texto convida o crente a confiar firmemente na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis para já. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, apontar à vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido?

• A nossa tendência vai, tantas vezes, do “oito ao oitenta”, da euforia ao desânimo total. Num dia, tudo faz sentido; no outro, a tristeza e a dúvida afogam-nos e deixam-nos mergulhados no mais negro pessimismo… No entanto, o cristão deve ser o homem da serenidade e da paz; ele sabe que a sua existência não se conduz ao sabor das marés, mas que o sentido da vida está para além dos êxitos ou dos fracassos que o dia a dia traz. Guiado pela fé, ele tem sempre diante dos olhos essas realidades últimas, que dão sentido pleno àquilo que aqui acontece.


ALELUIA – Mt 24, 42a.44

Aleluia. Aleluia.

Vigiai e estai preparados,
porque na hora em que não pensais
virá o Filho do homem.


EVANGELHO – Lc 12,32-48

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Não temas, pequenino rebanho,
porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino.
Vendei o que possuís e dai-o em esmola.
Fazei bolsas que não envelheçam,
um tesouro inesgotável nos Céus,
onde o ladrão não chega nem a traça rói.
Porque onde estiver o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas.
Sede como homens
que esperam o seu senhor voltar do casamento,
para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater.
Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar,
encontrar vigilantes.
Em verdade vos digo:
cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa
e, passando diante deles, os servirá.
Se vier à meia-noite ou de madrugada,
felizes serão se assim os encontrar.
Compreendei isto:
se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão,
não o deixaria arrombar a sua casa.
Estai vós também preparados,
porque na hora em que não pensais
virá o Filho do homem».
Disse Pedro a Jesus:
«Senhor, é para nós que dizes esta parábola,
ou também para todos os outros?»
O Senhor respondeu:
«Quem é o administrador fiel e prudente
que o senhor estabelecerá à frente da sua casa,
para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo?
Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar,
encontrar assim ocupado.
Em verdade vos digo
que o porá à frente de todos os seus bens.
Mas se aquele servo disser consigo mesmo:
‘o meu senhor tarda em vir’;
e começar a bater em servos e servas,
a comer, a beber e a embriagar-se,
o senhor daquele servo
chegará no dia em que menos espera
e a horas que ele não sabe;
ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis.
O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor,
não se preparou ou não cumpriu a sua vontade,
levará muitas vergastadas.
Aquele, porém, que, sem a conhecer,
tenha feito acções que mereçam vergastadas,
levará apenas algumas.
A quem muito foi dado, muito será exigido;
a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

AMBIENTE

Continuamos a percorrer o “caminho de Jerusalém”. Desta vez, Jesus dirige-Se explicitamente ao grupo dos discípulos (designado como “pequeno rebanho” – cf. Lc 12,32). Nas catequeses anteriores, Jesus falou sobre o desprendimento face aos bens da terra (cf. Lc 12,13-21) e sobre o abandono nas mãos de Deus (cf. Lc 12,22-34); agora, Jesus vai mostrar o que é necessário fazer para que o “Reino” seja sempre uma realidade presente na vida dos discípulos e para que os “tesouros” deste mundo não sejam a prioridade: trata-se de estar sempre vigilante, à espera da vinda do Senhor. Na realidade, Lucas junta aqui parábolas que devem ter aparecido em contextos diversos; mas todas estão ligadas pelo tema da vigilância.

MENSAGEM

O nosso texto começa com uma referência ao “verdadeiro tesouro” que os discípulos devem procurar e que não está nos bens deste mundo (vers. 33-34): trata-se do “Reino” e dos seus valores. A questão fundamental é: como descobrir e guardar esse “tesouro”? A resposta é dada em três quadros ou “parábolas”, que apelam à vigilância.
A primeira parábola (vers. 35-38) convida a ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas (o que parece aludir a Ex 12,11 e à noite da primeira Páscoa, celebrada de pé e “com os rins cingidos”, antes da viagem para a liberdade), como homens que esperam o senhor que volta da sua festa de casamento. Os crentes são, assim, convidados a estarem preparados para acolher a libertação que Jesus veio trazer e que os levará da terra da escravidão para a terra da liberdade; e são também convidados a acolherem “o noivo” (Jesus) que veio propor à “noiva” (os homens) a comunhão plena com Deus (a “nova aliança”, representada na teologia judaica através da imagem do casamento).
A segunda parábola (vers. 39-40) aponta para a incerteza da hora em que o Senhor virá. A imagem do ladrão que chega a qualquer hora, sem ser esperado, é uma imagem estranha para falar de Deus; mas é uma imagem sugestiva para mostrar que o discípulo fiel é aquele que está sempre preparado, a qualquer hora e em qualquer circunstância, para acolher o Senhor que vem.
A terceira parábola (vers. 41-48) parece dirigir-se (é nesse contexto que a pergunta de Pedro nos coloca) aos responsáveis da comunidade. Nas palavras originais de Jesus, a parábola devia ser uma crítica aos responsáveis do Povo de Israel; mas, na interpretação de Lucas, a parábola dirige-se aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço: se algum deles descuida as suas responsabilidades no serviço aos irmãos e usa as funções que lhe foram confiadas de forma negligente ou em benefício próprio, será castigado. Nos dois últimos versículos, o castigo diversifica-se de acordo o tipo de desobediência: os que desobedeceram intencionalmente serão mais castigados; os que desobedeceram não intencionalmente serão menos castigados. A referência às “vergastadas” deve ser entendida no contexto da linguagem dos pregadores da época e manifesta a repulsa de Deus por aqueles que negligenciam a missão que lhes foi confiada. Provavelmente Lucas tem diante dos olhos o exemplo de alguns animadores cristãos que, pela sua preguiça ou pela sua maldade, perturbavam seriamente a vida das comunidades a que presidiam. Em qualquer caso, estas linhas sublinham a maior responsabilidade daqueles que, na Igreja, desempenham funções de responsabilidade… A última afirmação (“a quem muito foi dado, muito será exigido, a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá – vers. 48b) é claramente dirigida aos responsáveis da comunidade; mas pode aplicar-se a todos os que receberam dons materiais ou espirituais.

ACTUALIZAÇÃO

Para a reflexão e a partilha da Palavra, considerar os seguintes dados:

• A vida dos discípulos de Jesus tem de ser uma espera vigilante e atenta, pois o Senhor está permanentemente a vir ao nosso encontro e a desafiar-nos para nos despirmos das cadeias que nos escravizam e para percorrermos, com Ele, o caminho da libertação. O que é que nos distrai, que nos prende, que nos aliena e que nos impede de acolher esse dom contínuo de vida?

• Ser cristão não é um trabalho “das nove às cinco”, ou um “hobby” de fim-de-semana; mas é um compromisso a tempo inteiro, que deve marcar cada pensamento, cada atitude, cada opção, vinte e quatro horas por dia… Estou consciente dessa exigência e suficientemente atento para marcar, com o selo do meu compromisso cristão, todas as minhas acções e palavras?

• Estou suficientemente atento e disponível para acolher e responder aos apelos que Deus me faz e aos desafios que Ele me apresenta através das necessidades dos irmãos? Estou suficientemente atento e disponível para escutar os sinais, através dos quais Deus me apresenta as suas propostas?

• Por vezes, os discípulos de Jesus manifestam a convicção de que tudo vai de mal a pior, que esta “geração rasca” está perdida e que não é possível fazer mais nada para tornar o mundo mais humano e mais feliz… Isso não será, apenas, uma forma de mascararmos o nosso egoísmo e comodismo e de recusarmos ser protagonistas empenhados na construção desse “Reino” que é o tesouro mais valioso?

• A Palavra de Deus que hoje nos é proposta contém uma interpelação especial a todos aqueles que desempenham funções de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas repartições… Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com atenção e empenho as funções que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o serviço da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como nos comportamos: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer? Estamos atentos às necessidades – sobretudo dos pobres, dos pequenos e dos débeis – ou instalamo-nos no egoísmo e no comodismo e deixamos que as coisas se arrastem, sem entusiasmo, sem vida, sem desafios, sem esperança?


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 19º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. ESCOLHER O RITO DE ASPERSÃO.
Para marcar a nossa pertença ao novo Israel libertada pela Páscoa de Cristo, em memória do nosso Baptismo, pode-se fazer o rito da aspersão durante o momento penitencial.

3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
“Deus fiel, desde o tempo de Moisés e dos profetas, o teu povo Te dá graças pela libertação pascal. Outrora foi pela saída do Egipto e a entrada na Terra Prometida. Hoje, é pela Páscoa de Jesus, a Ressurreição.
Nós Te pedimos pelos pastores das nossas comunidades, pelos catequistas e pelas equipas litúrgicas, encarregados de reavivar a fé pascal em cada domingo”.

No final da segunda leitura:
“Pai, nós Te bendizemos por Abraão, Sara e todas as testemunhas da fé ao longo dos séculos. Nós Te damos graças porque Te revelaste a eles, fizeste-Te próximo, anunciaste-lhes e renovaste as tuas promessas.
Nós Te pedimos para confirmar a fé nas nossas comunidades. Que o teu Espírito nos guie e nos inspire, quando damos conta da nossa fé diante dos jovens”.

No final do Evangelho:
“Nosso Pai, nós Te bendizemos, porque nos deste o teu Reino. Ele é para nós o tesouro inesgotável. Nós Te damos graças pelo teu Filho, nosso Mestre, porque Ele veste o fato de serviço para nos acolher à sua mesa.
Nós Te pedimos: pelo teu Espírito, prende os nossos corações ao teu Reino, que Ele nos mantenha na vigilância, atentos a preparar o teu regresso”.

4. BILHETE DE EVANGELHO.
Há felicidade em receber… Se Jesus declara felizes os servidores que esperam para estarem prontos para servir, é porque vão beneficiar de um privilégio extraordinário: em lugar de servir, vão ser servidos, e logo pelo seu Mestre. O facto de esperar muda totalmente a situação. Jesus recomenda para se vigiar porque é uma atitude daquele que espera e assim manifesta que a pessoa esperada tem um preço a seus olhos. No momento em que Lucas escreve o seu Evangelho, os cristãos estão um pouco adormecidos e desanimados, pois parece que o Mestre tarda a voltar, como havia prometido. Terão eles esquecido que Ele tinha prometido o seu regresso de imprevisto? A sua felicidade depende da sua espera activa…

5. À ESCUTA DA PALAVRA.
Decididamente, Jesus não Se cansa de chamar os seus discípulos a uma vida de pobreza, no Evangelho deste domingo e do domingo passado. Mas Ele próprio sabia bem que o dinheiro é necessário para viver. O grupo dos apóstolos tinha uma bolsa comum. São Paulo fará um peditório, que dará uma grande soma, para a Igreja de Jerusalém. Segundo o Evangelho, a pobreza não é a miséria. Já domingo passado Jesus nos convidava a sermos ricos em vista de Deus e não a amealharmos para nós mesmos. Hoje, diz uma pequena frase muito esclarecedora: “Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino”. O Pai quer encher-nos com a sua plenitude. Mas isso supõe, da nossa parte, uma atitude de despojamento para nos tornarmos disponíveis e acolhedores do dom de Deus. Recordemos que somos apenas criaturas. Não somos a nossa própria origem. Desde o início da nossa existência, devemos primeiramente tudo receber, a começar pela vida. Numa palavra, devemos, em primeiro lugar, ser amados para podermos aprender a amar. A verdadeira pobreza consiste em reconhecer a ligação de dependência no amor e na vida. Se a recusamos, fechamo-nos em nós mesmos, numa riqueza que poderá asfixiar-nos. Dito de outro modo, somos convidados a nunca esquecer que tudo o que temos e somos é sempre, antes de mais, um dom. Não somos proprietários da vida. Dela temos apenas usufruto. O nosso Pai confia-nos a vida, para que a façamos frutificar em aventura de amor. Isso deveria preservar-nos do “espírito de possessão” e abrir o nosso coração para aprender sem cessar a receber e podermos, por nossa vez, dar.

6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística IV, que recorda a longa história da aliança. Ou, se houver uma grande número de crianças na assembleia, pode-se optar pela Oração Eucarística I para Crianças, que permite, no meio do verão, um belo louvor pela Criação.

7. PALAVRA PARA O CAMINHO…
Incidir sobre os verdadeiros valores… O nosso tesouro terrestre ocupa muitas vezes todas as nossas energias e a nossa vigilância. Acontece o mesmo com o tesouro que somos convidados a constituir em vista do Reino? Se o Mestre viesse hoje, como nos encontraria? Prontos a servir, prontos a acolhê-lo?… A nossa fé, como a de Abraão, é bastante viva para incidir sobre os verdadeiros valores?


UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehnianos.org – www.dehonianos.org
Fonte http://www.dehonianos.org/

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

XVIII Semana - Sábado - Tempo Comum - Anos Pares - 06.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Tempo Comum - Anos Pares
XVIII Semana - Sábado
Lectio

Primeira leitura: Habacuc 1, 12-2, 4

12Não és Tu, Senhor, desde o princípio, o meu Deus e o meu santo? Nós não morreremos. Tu estabeleceste, Senhor, os caldeus para exercerem a justiça, como uma rocha, Tu os constituíste para castigar. 13Os teus olhos são demasiado puros para ver o mal, não podes contemplar a opressão. Porque contemplas, em silêncio, os traidores, quando devoram os que são mais justos do que eles? 14Tratas os homens como peixes do mar, como répteis que não têm dono. 15Eles pescam-nos a todos no anzol, arrastam-nos com a sua rede, recolhem-nos em seu cesto e depois alegram-se e exultam. 16Por isso, oferecem sacrifícios às suas artes de pesca, e incenso à sua rede, porque, graças a elas, recolhem gordas porções e suculentos manjares. 17Continuarão eles a esvaziar a sua rede, massacrando povos sem piedade? 1Vou ficar de pé no meu posto de guarda, vou colocar-me sobre a muralha, vou ficar à espreita para ver o que Ele me diz, que resposta dá à minha queixa. 2Então o Senhor respondeu-me: «Escreve a visão, grava-a em tabuínhas, para que possa ser lida facilmente. 3Porque é uma visão para um tempo fixado: ela aspira pelo seu termo e não falhará. Se tardar, espera por ela igualmente; que ela cumprir-se-á, com toda a certeza não falhará. 4Eis que sucumbe o que não tem a alma recta,mas o justo viverá pela sua fidelidade.»

Para além do nome que aparece no início do escrito, nada sabemos deste profeta. Pensa-se que terá sido um profeta cultual, contemporâneo de Naum, e com uma missão e uma teologia semelhantes. Mas, enquanto Naum canta euforicamente a queda de Nínive, Habacuc mostra-se frio e céptico no diálogo com Deus no templo, chegando à ousadia de Lhe pedir contas, de lhe perguntar a razão de castigar o malvado por meio de outro pior do que ele. O malvado, neste caso, seria o império assírio. O pior seria o império neo-babilónico. Mas há quem prefira ver Judá como o malvado, e qualquer dos seus opressores como pior. No fundo, é a questão do mal numa das suas principais implicações: «Porque contemplas, em silêncio, os traidores, quando devoram os que são mais justos do que eles?» (v. 13). Deus parece conivente com os malvados (1, 14). Parece partilhar o sadismo do pescador que se alegra com os peixes apanhados e mortos (1, 15-17). No espírito do profeta avança uma inquietante hipótese: a insinuação da serpente acerca do ciúme de Deus em relação ao homem (cf. Gn 3, 4), terá algum fundamento? À falta de respostas verificáveis sobre as intenções de Deus, Habacuc reanima a sua fé (2, 1). Não se assusta com o silêncio “obstinado” de Deus perante as suas interrogações. Sabe que pode apoiar a sua existência nas promessas divinas, eternamente válidas (2, 3). O profeta acaba por compreender que a fé é a raiz profunda que garante a vida e a estabilidade. Quem presumir erguer-se como centro e fim da sua existência, ficará prisioneiro do seu orgulho, ficará instável (2, 4). Esta verdade há-de ser conhecida por todos (2, 2).


Evangelho: Mateus 17, 14-20

Naquele tempo, 14 aproximou-se de Jesus um homem, ajoelhou-se a seus pés e 15disse-lhe: «Senhor, tem piedade do meu filho. Ele tem ataques e está muito mal. Cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água. 16Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo.» 17Disse Jesus: «Geração descrente e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 18Jesus falou severamente ao demónio, e este saiu do jovem que, a partir desse momento, ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram- se de Jesus e perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não fomos capazes de expulsá-lo?» 20Disse-lhes Ele: «Pela vossa pouca fé. Em verdade vos digo: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de mudar-se; e nada vos será impossível.

Mateus está agora preocupado em transmitir os ensinamentos de Jesus aos seus discípulos. Mas não deixa de contar mais um milagre, inserindo aqui a narrativa da cura de um epiléptico. É mais um sinal do poder de Jesus. Mas as dificuldades, que, por vezes, encontravam os exorcistas da Igreja nascente, também podem explicar esta inclusão.
O pedido do pai, para obter a cura do filho epiléptico, dá ocasião a Jesus para mais uns ensinamentos sobre a necessidade de acreditar n´Ele. Os discípulos não conseguem realizar o milagre porque o poder taumatúrgico não é deles. Pertence unicamente ao Mestre, que o concede àqueles que participam na sua missão (cf. 10, 1). Estes, que são os discípulos, devem aderir a Ele pela fé (cf. v. 20).
«Geração descrente e perversa!» Esta expressão de Jesus manifesta a resistência que os seus contemporâneos, duros de coração, Lhe opõem. Em união com Ele, os discípulos podem fazer maravilhas e comunicar a salvação oferecida por Deus. Mas, a falta de fé, que os separa da união com Jesus, torna-lhes impossível essa missão.


Meditatio

Habacuc vive numa época de angústia para os Israelitas que, libertados da Assíria, eram agora dominados pelos caldeus. O profeta olha para Deus, e olha para o seu povo. Começa por ver e proclamar a santidade de Deus: «Não és Tu, Senhor, desde o princípio, o meu Deus e o meu santo?» (v. 12). O domínio caldeu é, portanto, um meio que Deus usa para castigar os pecadores, e fazer justiça: «Tu estabeleceste, Senhor, os caldeus para exercerem a justiça» (v. 12). Mas os caldeus cometem excessos, opõem uma opressão intolerável. Então, o profeta ergue novamente o olhar para Deus: «Os teus olhos são demasiado puros para ver o mal, não podes contemplar a opressão. Porque contemplas, em silêncio, os traidores, quando devoram os que são mais justos do que eles?» (v. 13). Quantas vezes fazemos perguntas semelhantes a esta. Impressionam-nos vivamente a injustiça e a violência que alastram pelo mundo. Habacuc compara os caldeus a pescadores sádicos: «Tratas os homens como peixes do mar, como répteis que não têm dono. Eles (os caldeus) pescam-nos a todos no anzol, arrastam-nos com a sua rede, recolhem-nos em seu cesto e depois alegram-se e exultam» (vv. 14-15). E Deus parece conivente com o sadismo dos idólatras que: «oferecem sacrifícios às suas artes de pesca, e incenso à sua rede» (v. 16). E o profeta pergunta a Deus: «Continuarão eles a esvaziar a sua rede, massacrando povos sem piedade» (v. 17).
As situações de extrema necessidade requerem um esforço de reflexão e de oração. É o que faz Habacuc: «Vou ficar de pé no meu posto de guarda, vou colocar-me sobre a muralha, vou ficar à espreita para ver o que Ele me diz, que resposta dá à minha queixa» (Hab 2, 1). Deus responde com solenidade, exigindo que a sua promessa seja posta por escrito, o que quer dizer que não se trata de algo de imediato, mas que terá um valor duradoiro: «Escreve a visão, grava-a em tabuínhas, para que possa ser lida facilmente. Porque é uma visão para um tempo fixado: ela aspira pelo seu termo e não falhará» (Hab 2, 2-3). É preciso ter paciência e esperança. Deus faz o que promete: «Se tardar, espera por ela igualmente; que ela cumprir-se-á, com toda a certeza não falhará» (Hab 2, 3). E, qual é a mensagem? Esta: «Eis que sucumbe o que não tem a alma recta, mas o justo viverá pela sua fidelidade» (v. 4). Nas situações difíceis da vida, há que insistir na relação com o Senhor, em apegar-se à sua mão salvadora, para resistir às tempestades e não se afogar. A fé é adesão firme e segura ao Senhor. Só ela nos faz vencedores: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, - diz o Senhor - direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de mudar-se; e nada vos será impossível» (v. 20). Uma fé viva transforma ocasiões difíceis em graças preciosas. Em lugares e situações difíceis, muitos, pela fé viva, se tornaram santos, enquanto outros, com uma fé frouxa, permaneceram na mediocridade!


Oratio

Senhor, onde está a tua providência, o teu amor? Se Te questiono, por me pareceres andar a monte, é porque experimentei que, viver sem Ti, é condenar-se ao vazio. Onde estás, Senhor, para não veres a onda de crimes e de morte, que parece cobrir toda a terra? Onde estás? Onde estás?
Mas, eis que me parece escutar a tua voz, que me interroga: afinal, que Deus procuras? Aquele que te resolve os problemas? Aquele que te oferece soluções pré-fabricadas? Eu sou Deus-amor. Quem ama, não cria marionetas ou eternas crianças, mas homens livres. O sofrimento é o preço da liberdade! Se o jogo das liberdades pode transformar a vida humana num cadinho, tu és para Mim o metal precioso que, purificado, se torna reluzente. Podes crer no meu amor, pelo qual eu atravessei, até ao fim, o cadinho da vida humana. Podes crer no meu amor, pelo qual te uni a Mim no “impossível” da ressurreição!
Obrigado, Senhor! Obrigado! Amen.


Contemplatio

Madalena dá-nos um grande exemplo de fidelidade e de perseverança no amor de Nosso Senhor. Ela não tem repouso, não pode viver longe do seu Bem-Amado. Faz-lhe falta o seu Deus, procurá-lo-á. O seu tesouro está no sepulcro, lá também está o seu coração. As provações não extinguiram as chamas do seu amor: Águas caudalosas não puderam apagar o amor (Ct 8).
O seu amor foi purificado no cadinho dos sofrimentos. É preciso que a sua fidelidade reduplique: o seu Bem-Amado foi tão cruelmente traído, abandonado! É preciso que a sua dedicação seja verdadeiramente reparadora.
Logo que a lei de Deus o permite, sai com as outras duas Maria para comprar perfumes (Mc 16, 1). Por modéstia, não sai sozinha, consulta Pedro, João e Maria, como lhes irá prestar contas quando tiver encontrado o túmulo vazio. A obediência à Igreja e a união a Maria são as marcas do verdadeiro espírito de Deus. Depois da compra dos perfumes, Madalena faz uma visita ao sepulcro com uma só companhia: Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro (Mt 28, 1). Toma o caminho do Calvário, ainda é escuro, revê em espírito todas as cenas da sexta-feira. Tem medo de pisar o precioso sangue. A cruz está ainda lá, é terrível no meio das sombras da noite. O sepulcro está solitário, os guardas dormitam. Madalena senta-se e chora. A hora da consolação não chegou. Nosso Senhor deixa-a nas suas angústias e, todavia, fortifica a sua coragem. Volta para a casa de dor, não encontrou o seu Bem-Amado: Toda a noite, procurei aquele que o meu coração ama; procurei-o e não o encontrei (Ct 3, 1). Quando tivermos perdido a presença de Nosso Senhor, procuremo-lo assiduamente como Madalena. (Leão Dehon, OSP 3, p. 688s.).


Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Se o Senhor tardar, espera» (cf. Habac 3, 2).


| Fernando Fonseca, scj |
Fonte http://www.dehonianos.org/

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

XVIII Semana - Sexta-feira - Tempo Comum - Anos Pares - 05.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Tempo Comum - Anos Pares
XVIII Semana - Sexta-feira
Lectio

Primeira leitura: Naum 2, 1.3; 3, 1-3.6-7.

1Eis sobre os montes os pés do mensageiro que traz notícias de paz. Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o ímpio não passará mais pela tua terra; está completamente destruído. 3Porque o Senhor restabelece o esplendor de Jacob, assim como o esplendor de Israel; pois os saqueadores despojaram e destruíram os seus sarmentos. 1Ai da cidade sanguinária, cheia de fraude, de violência e de contínuas rapinas! 2Ruído de chicotes, barulho de rodas, cavalos a galope, movimento de carros! 3Ginetes ao assalto, espadas que reluzem, lanças que cintilam, multidão de feridos! Mortos em massa, cadáveres sem fim! Tropeça-se nos seus cadáveres. 6Cobrir-te-ei de imundície e de infâmia, hei-de expor-te como espectáculo. 7Todos os que te virem, fugirão de ti, dizendo: «Nínive está devastada! Quem se compadecerá dela? Onde irei buscar quem te reconforte?»

O pequeno livro de Naum não apresenta as características da literatura profética, tais como oráculos condenatórios e salvíficos, chamamentos à conversão, ou anúncios de castigo. Trata-se de poemas exultantes de militarismo e vingança, a propósito da queda de Nínive. Terror dos povos vizinhos, incluindo Israel e Judá, o império assírio caía, no Verão de 612, às mãos de babilónios e medos. O povo de Israel e Judá celebrou com alegria a salvação e a paz reencontradas (2, 1). Javé concedera-lhas, humilhando o opressor, que usara a mentira, a rapina, os carros de guerra e o furor homicida dos seus soldados para semear violência e morte. O profeta vê o fim de tanto horror, e pode oferecer ao seu povo uma mensagem de alegria e consolação. Nínive, pelo contrário, não tem quem a console (3, 7).


Evangelho: Mateus 16, 24-28

Naquele tempo, então, 24Jesus disse aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 25Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. 26Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida? 27Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento. 28Em verdade vos digo: alguns dos que estão aqui presentes não hão-de experimentar a morte, antes de terem visto chegar o Filho do Homem com o seu Reino.»

Depois da confissão de Pedro, Jesus confirmou a sua identidade de Messias e de Filho de Deus, e indicou o carácter doloroso do seu messianismo (cf. Mt 16, 16-17.21). Agora fala dos que O pretendem seguir. A sorte dos discípulos não será diferente da do Mestre (cf. 10, 24s.). E toda a atitude e toda a opção do discípulo terá sentido na sua relação com o Mestre. A escala de prioridades e valores é definida pela relação com Jesus, cujo percurso histórico marcado pelo sofrimento vivido no amor, será assumido pelo discípulo (v. 24). Este experimentará o paradoxo de «perder para encontrar», de «morrer para viver» (v. 25). As suas obras hão-de manifestar a opção por Jesus como centro da sua existência. Tal opção será recompensada no dia do juízo (v. 27). De facto, o Messias Sofredor é também o Juiz escatológico. O Messias humilhado é também o Rei glorioso.


Meditatio

Naum apresenta-nos dois cenários contrastantes: de um lado, o pequeno e oprimido reino de Judá, que, no século VI a. C. se encontrava em situação muito precária; de outro lado, Nínive, a esplendorosa capital do poderoso império assírio. No Magnificat, Maria proclama que Deus, exercendo a força do seu braço, derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes. Foi o que aconteceu, segundo Naum, à Assíria e à sua capital, destruídas pelos babilónios e medos, enquanto Judá, pequena nação, escuta uma promessa cheia de alegria: «Eis sobre os montes os pés do mensageiro que traz notícias de paz» (v. 1). E vem o convite à festa, à acção de graças «porque – diz o Senhor- o ímpio não passará mais pela tua terra; está completamente destruído» (v. 1). Pelo contrário, Nínive, «cidade sanguinária, cheia de fraude, de violência e de contínuas rapinas!» (2, 1), será devastada. O profeta descreve poeticamente a desgraça de Nínive: «Ruído de chicotes, barulho de rodas, cavalos a galope, movimento de carros! Ginetes ao assalto, espadas que reluzem, lanças que cintilam…» (vv. 2-3). Segue a ameaça de cobrir Nínive «de imundície e de infâmia, hei-de expô-la como espectáculo (2, 6). E «todos os que te virem, fugirão de ti, dizendo: «Nínive está devastada!» (2, 7). E o profeta conclui: «Quem se compadecerá dela? Onde irei buscar quem te reconforte?» (2, 7). A resposta vem noutro texto: «Todos os que ouvirem notícias tuas baterão as palmas contra ti; pois, sobre quem é que não passou a tua contínua maldade?» (3, 19). A destruição de Nínive é considerada um evento alegre, porque põe fim à opressão, à crueldade.
Ao longo da história, e mesmo nos nossos dias, assistimos à queda de tantos regimes despóticos e opressores, e à alegria que esses eventos trouxeram a tantos países e povos. Ainda, há poucos anos, assistimos espantados ao desmoronar-se de um desses colossos. Quem poderia imaginar que tal iria acontecer? Mas aconteceu. Outros «impérios» cairão! Deus continua a reger o mundo. O seu ritmo nem sempre corresponde à nossa impaciência, mas está activo. Há que ter confiança: «No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33).
Em muitas situações, o discípulo é chamado a carregar a cruz, com o Senhor, até ao Calvário, até à morte. Mas o Senhor garante-nos «quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la» (v. 25). A lógica de Deus não inclui triunfos idênticos aos dos poderosos deste mundo, que até acabam por se revelar transitórios. Mas inclui perder a própria vida, gastá-la ao serviço dos outros, sem recusar os sofrimentos que daí podem vir, e continuando sempre a amar. Que viver assim, torna-se uma testemunha silenciosa, mas eficaz, da verdadeira libertação.


Oratio

Obrigado, Senhor, porque não me obrigas a seguir-Te, mas apenas me fazes o convite. Quero acolhê-lo e, cada dia, carregar a minha cruz, seguir os teus passos. Só o teu caminho leva à vida, porque Tu és o Caminho e a Vida. Sei que caminhar Contigo, e como Tu, implica sofrimento. Amar como Tu, significa dar a vida. Isso assusta-me. Preferia um amor mais fácil. Mas compreendo que o amor que não se dá totalmente, não é mais do que uma cópia camuflada do egoísmo.
Infunde em mim o teu Espírito Santo, para que eu viva o amor oblativo, o amor que se dá, sem condições, até ao fim. Que eu aprenda, definitivamente, a sabedoria do teu amor crucificado. Amen.


Contemplatio

Somos baptizados na cruz. Devemos morrer com Jesus para ressuscitarmos com Ele (Rm 8,17). Membros de Jesus Cristo, devemos ter a mesma sorte que o nosso chefe. Ser-lhe parecidos, essa é a nossa glória. Indicou-nos a via da salvação, é preciso segui-la. «Suplico-vos, dizia S. Paulo, que façais dos vossos corpos uma hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom 12,1). A cruz, diz a Imitação, é a salvação, é a vida, é a fonte das doçuras celestes.
Que farei para me unir à divina vítima? Que penitência hei-de impor-me? Que sacrifícios me pede a graça divina? Não tenho cuidados excessivos com o meu corpo? No sono, nas refeições, nos descansos, não tenho nada a cortar? «Aqueles que pertencem a Jesus Cristo, diz S. Paulo, crucificaram os seus corpos com as suas cobiças» (Gl 5,24). Devo propor-me alguma prática de mortificação interior e exterior. Devo também abandonar-me à vontade divina e aceitar as cruzes que a divina Providência me enviar. «Que aquele que quiser seguir-me (e amar-me), disse o bom Mestre, renuncie a si mesmo e tome a sua cruz». (Leão Dehon, OSP 3, p. 230).


Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la» (Mt 16, 25).



| Fernando Fonseca, scj |
Fonte http://www.dehonianos.org/

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

XVIII Semana - Quinta-feira - Tempo Comum - Anos Pares - 04.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Tempo Comum - Anos Pares
XVIII Semana - Quinta-feira
Lectio

Primeira leitura: Jeremias 31, 31-34

31Dias virão, diz o Senhor, em que firmarei uma nova aliança com a casa de Israel e a casa de Judá - oráculo do Senhor. 32Não será como a aliança que estabeleci com seus pais, quando os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egipto, aliança que eles não cumpriram, embora Eu fosse o seu Deus - oráculo do Senhor. 33Esta será a Aliança que estabelecerei, depois desses dias, com a casa de Israel - oráculo do Senhor: Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34Ninguém ensinará mais o seu próximo ou o seu irmão, dizendo: 'Aprende a conhecer o Senhor!' Pois todos me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, porque a todos perdoarei as suas faltas, e não mais lembrarei os seus pecados» - oráculo do Senhor.

O texto que hoje escutamos é o testemunho espiritual de Jeremias, síntese do seu pensamento e da sua obra e, de certo modo, síntese de toda a literatura profética. Declara que a intervenção de Javé, que permite ao povo regressar do cativeiro, marca uma mudança de rumo na história. O regresso de Israel à sua terra, a recuperação de uma existência livre e harmoniosa, atinge o auge no estabelecimento de uma «nova aliança» (v. 31). Javé, o Senhor, inclinara-se sobre Israel, erguera-o para Si (cf. Dt 32, 11; Os 11, 4) e, pela aliança sinaítica fizera dele sua propriedade (cf. Dt 32, 9). Israel, todavia, mostrara-se incapaz de observar os mandamentos – lei de vida – faltando ao compromisso assumido (cf. Ex 24, 3; Js 24, 24). O pecado da infidelidade tinha marcado a sua existência e a sua história. Sobreveio o exílio. Mas Deus teve compaixão do seu povo e fê-lo regressar, como num novo êxodo. E, maravilha das maravilhas, oferece-lhe uma nova aliança, em que a lei já não será escrita em tábuas de pedra, mas no próprio coração (v. 33). Será uma lei interior a observar, não com ritos formais, mas pela interiorização de valores como a obediência e o amor, postos em prática. Javé, ao perdoar os pecados de todos, sem distinção, também lhes dá capacidade para cumprirem os preceitos da nova aliança. Cada um poderá conhecer a vontade de Deus, impressa no seu coração e de cumpri-la (cf. v. 34ª). Há um reconhecimento radical da pessoa de cada um. E, por dom da misericórdia divina, Deus pertencerá a cada um e cada um pertencerá a Deus (v. 33c.)


Evangelho: Mateus 16, 13-23

Naquele tempo, 13Jesus ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.» 15Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» 16Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» 17Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.» 20Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias. 21A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar. 22Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!» 23Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»

Quem é este homem a quem o vento e o mar obedecem? Quem é Jesus? Quem dizem os homens que Ele é? E, vós, quem dizeis que Eu sou? Pedro toma a palavra e responde em nome da comunidade dos discípulos: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). Verificada a compreensão que os discípulos têm de Jesus, o Evangelho de Mateus dá uma volta decisiva. Se as obras e as palavras de Jesus tinham revelado a sua missão messiânica, de modo que o povo acreditasse n´Ele (vv. 13ss.), à excepção dos nazarenos (cf. 13, 53-58), os discípulos pela boca de Pedro, reconhecem também a sua natureza divina (v. 16). Pedro assume grande relevo nesta cena: se, por um lado, professa a fé no Filho de Deus, por outro lado recusa que Ele seja o Servo Sofredor (v. 21); se primeiro recebe de Jesus plena autoridade sobre a comunidade dos discípulos (vv. 18ss.), logo depois é chamado «Satanás» porque o seu ponto de vista se opõe ao de Deus, e é obstáculo para Jesus cumprir a vontade do Pai (v. 23).
As contradições que assinalam o discipulado de Pedro (cf. Mc 14, 26-31) evidenciam a obra da graça divina na fragilidade humana: é o mistério da Igreja, cujo chefe é tal, não por mérito próprio, mas porque Deus lhe confia o serviço que o faz referência para os irmãos. Só Deus é garantia de salvação da comunidade na luta do mal e da morte contra o bem e a vida (v. 18). A comunidade pode confiar em Pedro, porque as suas decisões serão assumidas por Deus (v. 19). Mas a salvação e a glória terão de passar pela cruz (v. 21).


Meditatio

Escutamos hoje o texto que, provavelmente, é o cume mais elevado de todo o Antigo Testamento: o oráculo da nova Aliança, no «Livro da Consolação» de Jeremias. Esta profecia revela uma inspiração profunda, uma pureza perfeita. Outros oráculos misturam perspectivas de prosperidade terrena, de riquezas materiais à da relação com Deus. Este oráculo centra tudo na relação pessoal com Deus. A nova Aliança será diferente da primeira, a do Sinai: «Não será como a aliança que estabeleci com seus pais, quando os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egipto» (v. 32). Efectivamente há várias diferenças. A primeira é que, enquanto no Sinai as leis foram escritas em tábuas de pedra, eram leis exteriores, que não mudavam o coração do homem, agora são escritas no coração da pessoa, são leis interiores: «Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração» (v. 33). A lei de Deus será entendida na sua intenção de amor, porque a vontade de Deus é sempre vontade de amor. Deus não manda para complicar, para oprimir, para obrigar, mas para estabelecer uma relação de amor. É pois uma lei que se aceita voluntariamente, livremente. Porque é uma lei interior, permite uma relação íntima com Deus: «Serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 33). Esta promessa já se encontrava, várias vezes, no Antigo Testamento. Mas não se podia realizar, porque o coração do homem era mau. Agora, depois da nova Aliança, essa intimidade recíproca já era possível, porque já não era entre Deus e o povo, mas entre Deus e cada um: era uma relação pessoal: «Ninguém ensinará mais o seu próximo ou o seu irmão, dizendo: 'Aprende a conhecer o Senhor!' Pois todos me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno» (v. 34). Já não são precisas exortações como as de Jeremias porque, na nova Aliança, haverá uma relação pessoal, a consciência pessoal de cada um diante do Senhor. Esta nova aliança fundamenta-se na miserericórdia infinta de Deus, manifestada em Jesus Cristo, e que não parecia possível no tempo de Jeremias. Será Jesus a revelar o modo como Deus havia de realizar a nova Aliança. E como toda a aliança pressupõe um sacrifício, será Jesus a oferecê-lo – o sacrifício da nova Aliança – bem diferente dos antigos sacrifícios. Será Jesus a concretizá-lo através da oferta de Si mesmo, do seu coração, do seu corpo, do seu sangue, de toda a sua humanidade.
No evangelho de hoje, Jesus já prevê esse sacrifício, quando diz aos discípulos «que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar» (v. 21). Foi a oblação perfeita de Cristo que selou a nova e eterna Aliança. A Eucaristia permite-nos progredir nessa aliança nova, e recebê-la cada vez mais e melhor no nosso coração: «Chamados a participar todos os dias neste sacrifício da Nova Aliança, unimo-nos à oblação perfeita que Cristo oferece ao Pai, para fazê-la nossa, pelo sacrifício espiritual das nossas vidas: «Exorto-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: tal é o culto espiritual que lhe deveis prestar» (Rom 12,1) (Cst 81).


Oratio

Obrigado, Senhor, por não desistires, por me ofereceres sempre o teu amor, a tua misericórdia. Obrigado por estares sempre comigo, por Te interessares por mim. Obrigado por me quereres junto de Ti, por me ofereceres a tua amizade, a intimidade Contigo. Obrigado por saberes o que tem valor eterno e o que é transitório, e agires em consequência. Obrigado por Te declarares abertamente, por não retirares a palavra dada. Obrigado por amares sempre. Obrigado por aceitares sofrer e morrer, para ser fiel ao amor para com o Pai e para comigo. Que eu saiba permanecer, sempre, no teu amor. Amen.


Contemplatio

A última páscoa, que devia pôr fim à antiga Aliança estava terminada; uma páscoa nova devia suceder à páscoa antiga e inaugurar uma nova aliança; a realidade devia suceder à figura, e o verdadeiro Cordeiro pascal devia ser o alimento das nossas almas. Mas Jesus queria preparar os seus Apóstolos para a instituição da santa Eucaristia e para a sua recepção através de uma cerimónia sensacional, símbolo da purificação interior, que era requerida para participar dignamente no festim do Cordeiro.
Jesus, portanto, como tinha amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até ao fim, e preparou-se para lhes dar um sinal supremo da ternura do seu coração, a Eucaristia. Mas, tomando por um momento, as funções de um escravo, pôs-se a lavar os seus pés. S. Pedro revoltou-se, mas Jesus disse-lhe: Se não te lavar os pés, não terás parte comigo, porque a tua alma não estará bem disposta para receber a Eucaristia.
Nosso Senhor queria ensinar-nos que é preciso purificar as nossas almas tão perfeitamente quanto possível para receber a Eucaristia. Disse a Pedro: Aquele que já está lavado não precisa de lavar o pó dos seus pés para estar inteiramente puro: isto é, no sentido espiritual, aquele que, como vós, já está em estado de graça, já não tem necessidade de se purificar das manchas leves que desfiguram a sua alma, e é o que vou fazer a vosso respeito com esta acção simbólica que vos purificará nomeadamente de um resto de vaidade e de amor-próprio que ainda manifestastes agora mesmo. Que lição para mim, que me preparo tão negligentemente para a santa comunhão! (Leão Dehon, OSP 3, p. 265s.).


Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (Jr 31, 33).

| Fernando Fonseca, scj |
Fonte http://www.dehonianos.org/

terça-feira, 2 de agosto de 2016

XVIII Semana - Quarta-feira - Tempo Comum - Anos Pares - 03.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Tempo Comum - Anos Pares
XVIII Semana - Quarta-feira
Lectio

Primeira leitura: Jeremias 31, 1-7

1«Naquele tempo, - diz o Senhor - Eu serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo» - oráculo do Senhor. 2Assim fala o Senhor:«Encontrou graça no deserto o povo que tinha escapado à espada. Israel caminha para o seu repouso. 3De longe, o Senhor se lhe manifestou: Amei-te com um amor eterno. Por isso, dilatei a misericórdia para contigo. 4Hei-de reconstruir-te, e serás restaurada, ó donzela de Israel! Ainda te hás-de adornar dos teus tamborins e participar em alegres danças. 5De novo plantarás vinhas nas colinas da Samaria, e os cultivadores recolherão os frutos, 6porque há-de chegar o dia em que as sentinelas gritarão sobre os montes de Efraim: 'Levantai-vos! Subamos a Sião, ao Senhor, nosso Deus.'» 7Porque isto diz o Senhor: «Soltai gritos de júbilo por Jacob. Aclamai a primeira das nações! Fazei ressoar louvores, exclamando: 'Ó Senhor salva o teu povo, o resto de Israel'.

Jeremias, cheio de entusiasmo, anuncia o regresso dos exilados, tingindo a sua linguagem de um colorido folclórico. Israel já não está divido em dois reinos, mas reunificado sob a soberania de Javé (vv. 2s.). O Seu amor gratuito e fiel, a sua ternura para com o povo eleito, fê-lo regressar (cf. v. 3). A memória do deserto, da libertação do Egipto, símbolo de todos os desterros e libertações, volta agora a ser o lugar em que todos os que escaparam à espada, os que constituem o «resto», encontrarão a graça, ou, mais precisamente, Javé. Deus forma a identidade do seu povo, dá-lhe uma cidade onde habitar, terra para cultivar e dela tirar o sustento (vv. 4ª.5; cf. Js 24, 13; Sl 107, 35-37). De todos estes dons, brota a alegria, manifestada ao som de instrumentos e de danças (v. 4bc). Esta alegria de Israel vai contagiar as nações vizinhas, que hão-de convergir para Jerusalém, centro restabelecido do culto javista. Aí louvarão a Deus pela salvação, inesperada pelo pequeno grupo dos sobreviventes à deportação, mas maravilhosamente realizada pelo poder divino (v. 6s.; cf. Sl 105, 12-15.43-45; Is 52, 7-10)..


Evangelho: Mateus 15, 21-28

Naquele Tempo, 21Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.» 25Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

A mulher cananeia, de que nos fala o texto, é designada por «siro-fenícia» em Marcos (7, 24-30). O que ambos os evangelistas pretendem indicar é que se trata de uma mulher pagã, não judia. A cena, sob o ponto de vista literário, está construída no esquema pedido-recusa, num crescendo que, partindo do silêncio de Jesus à primeira interpelação da mulher, continua com a referência à sua missão, que teria por alvo unicamente o povo judeu, e culmina com a distinção brutal entre filhos e cachorrinhos. Tanto Mateus como Marcos coincidem em que a missão de Jesus, durante o seu ministério terreno, se limitou ao povo judeu. Mas também coincidem em que Jesus, neste caso, abriu uma excepção. Para Mateus, a razão da excepção foi a grande fé da mulher, o que é omitido por Marcos. O encontro entre Jesus e a mulher cananeia anuncia, e já realiza, o encontro entre a salvação e o paganismo. Sem negar a escolha preferencial de Israel, «filho primogénito» (v. 24; cf. Os 11, 1; Mt 10, 5ss.), a missão salvífica de Jesus é dirigida a todos os povos. Será, também essa, a característica da acção da Igreja, por mando específico do seu Senhor e Mestre (cf. Mt 28, 18-20).
A luta que a mulher cananeia trava com Jesus, para alcançar o que pede, é um exemplo concreto do que Jesus mandou: «Pedi… procurai… batei…» (cf. Lc 11, 9).


Meditatio

Os dons de Deus são gratuitos, são manifestação do seu amor, da sua misericórdia. Podemos e devemos pedi-los. Mas não temos qualquer direito a eles.
Assim aconteceu com Israel. Era um povo pequeno, fraco, humilhado e perseguido. Mas Deus, pela sua misericórdia, resolveu escolhê-lo para ser o seu povo: «Encontrou graça no deserto o povo que tinha escapado à espada... De longe, o Senhor se lhe manifestou: Amei-te com um amor eterno. Por isso, dilatei a misericórdia para contigo. (vv. 2-3). Nós não somos hebreus, mas havemos de estar igualmente gratos ao Senhor, que usou de misericórdia para connosco: «Eu serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo» (v. 1). «O Senhor salva o seu povo…», diz ainda o profeta Jeremias. Mas Isaías vira todos os povos subirem ao Monte Sião, e falara do templo de Jerusalém como casa de oração para todos os povos. Esta universalização do amor de Deus, em favor de todos os povos, constituiu um grave problema para os hebreus. Jesus reforça essa mensagem da salvação para todos os povos. Por isso, muitos judeus se sentiram ofendidos, e não aderiram à mensagem de Jesus. Paulo escreveu que, nem judeus nem gregos, podiam gabar-se de direitos diante de Deus porque Ele «encerrou a todos na desobediência, para com todos usar de misericórdia» (Rm 11, 32).
O episódio da mulher cananeia ilustra estas verdades. Ela pede a Jesus a cura da filha. Mas, escreve o evangelista, «Ele não lhe respondeu nem uma palavra» (v. 32). Depois dá uma resposta em que parece querer desembaraçar-se daquela mulher: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» (v. 24). Foi como se lhe dissesse: «Vai-te embora; não tens direito!». Mas a mulher insistiu, e prostrou-se diante dele… Jesus dá-lhe uma resposta, à primeira vista, cruel: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros» (v. 26). Mas a humildade e a fé desta mulher pagã leva a melhor sobre a aparente dureza de Jesus: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas» (v. 28). Era aí que Jesus queria chegar! Não basta ser judeu para obter os favores de Deus. Pode-se ser pagão! Qualquer homem, desde que tenha fé, desde que aceite Jesus como Senhor e Mestre, pode ser salvo.
Diante de Deus, o que conta é a fé, «adesão a Cristo, nascida do íntimo do coração» (Cst 5), a humildade, o reconhecimento, porque é gratuitamente que Ele nos enche de alegria e de amor: a alegria de sermos amados por Ele e chamados a testemunhar a todos o seu amor, a ser «profetas do amor» (Cst 7).


Oratio

Senhor, faz-me perceber que a minha relação Contigo não pode ser medida em termos de receber e dar, mas que há-de ser resposta a uma surpresa: a de descobrir que me amas... com um amor “exagerado”, que escapa às medidas do espaço e do tempo. Aliás, amas todos os homens eternamente, em todo o lado, por tua livre iniciativa, sem condicionares o teu amor à sua resposta. Nunca Te cansaste, nem cansarás, de oferecer, de oferecer-Te: estávamos longe de Ti, e vieste procurar-nos; estávamos em perigo de morte, e vieste salvar-nos; tínhamos perdido a esperança, e vieste reacendê-la na nossa vida; estávamos cansados de gritar, e respondeste-nos, e ouviste-nos. Agora, sei que me amas desde sempre, e para sempre. Obrigado Senhor! Cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor. Amen.


Contemplatio

Há cena mais comovente do que a cura da filha da Cananeia? É uma mulher pagã que tem confiança em Jesus e que lhe vem implorar pela sua filha possuída do demónio. Nosso Senhor obriga-a a esperar, experimenta a sua fé, depois deixa-se tocar: «Ó mulher, diz, a tua fé é grande, vai, a tua filha está curada».
Para salvar os jovens, dispomos de alguns meios: a Eucaristia e a união com Jesus. O Salvador, que ama S. João, seu jovem discípulo, e que quer guardá-lo puro e santo, dá um cuidado particular à sua primeira comunhão, recebe-o sobre o seu Coração.
Nosso Senhor indica também assim que a devoção ao Sagrado Coração é para os jovens uma salvaguarda especial. A sua idade especial tem necessidade de afeição, o apego ao Coração de Jesus é a fonte da pureza. (Leão Dehon, OSP 4, p. 142).


Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Amei-te com um amor eterno» (Jr 31, 3).


| Fernando Fonseca, scj |
Fonte http://www.dehonianos.org/

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

XVIII Semana - Terça-feira - Tempo Comum - Anos Pares - 02.08.2016

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Tempo Comum - Anos Pares
XVIII Semana - Terça-feira
Lectio

Primeira leitura: Jeremias 30, 1-2.12-15.18-22

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias nestes termos: 2«Assim fala o Senhor, Deus de Israel: 'Escreve num livro todas as palavras que Eu te disser. 12Assim fala o Senhor: «A tua ferida é incurável, maligna é a tua chaga. 13Ninguém quer tomar a tua defesa para curar o teu mal, para o qual não há remédio. 14Todos os teus amantes te esqueceram, não se preocupam contigo, porque te feri, como se fere um inimigo, com cruel castigo, por causa da gravidade da tua falta e do número dos teus pecados. 15Porque choras sobre a tua ferida? A tua chaga é incurável. Por causa da gravidade da tua falta e do número dos teus pecados é que Eu assim procedi. 18Mas, eis o que diz o Senhor: «Restaurarei as tendas de Jacob, e terei compaixão das suas moradas. A cidade será reconstruída das suas ruínas, e os palácios reedificados no seu lugar. 19Deles sairão cânticos de louvor e gritos de alegria. Multiplicá-los-ei e não mais diminuirão. Exaltá-los-ei, e não mais serão humilhados. 20Os seus filhos serão como eram outrora, a sua assembleia será restabelecida diante mim, mas castigarei todos os seus opressores. 21Dela surgirá o seu chefe, dela sairá o seu soberano. Mandarei buscá-lo e ele se aproximará de mim. Pois quem arriscaria a sua vida, aproximando-se de mim? - oráculo do Senhor. 22Vós sereis o meu povo, e Eu serei o vosso Deus.» 23Eis que a tempestade do Senhor, o seu furor impetuoso, qual tormenta se desencadeia e está prestes a cair sobre a cabeça dos ímpios.

Jeremias queixara-se de Deus, que só parecia cumprir a parte trágica da promessa vocacional que lhe fizera, fazendo dele profeta da destruição e da desgraça. Mas Deus também cumpriu a outra parte da promessa: Jeremias também foi profeta de salvação e ressurgimento, como nos mostram os capítulos 30 e 31, o chamado “Livro da Consolação”. Os oráculos destes capítulos, que claramente pertencem a Jeremias, remontam provavelmente ao primeiro período de actividade do profeta, que inicialmente os dirigiu ao reino de Israel, mas que, depois da queda de Jerusalém, os estendeu a Judá.
Jeremias mostra o valor educativo do sofrimento por que passa o seu povo (vv. 12-15), obrigado ao exílio, e sob o domínio de um povo estrangeiro, havia um século. A aplicação da lei de Talião ao povo, de acordo com a doutrina da retribuição temporal, terá um efeito purificador: Israel irá perceber que o remédio para os seus males não vem das nações estrangeiras, cujo favor tenta obter, mas de Javé, que sempre cuida do seu povo e lhe garante a restauração. Os vv. 18-21 falam dessa restauração como efeito da compaixão de Deus (v. 18ª). As imagens utilizadas pelo profeta evocam uma cidade em festa: os edifícios em ruínas são restaurados (v. 18b), os seus habitantes são honrados por Deus e temidos pelos outros povos (vv. 19s.). Israel terá um rei bem aceite por Deus (cf. Dt 17, 15ª). Pode-se ver neste texto a esperança de Jeremias na reunificação do povo eleito, e na recuperação da sua soberania. A fórmula da aliança (v. 22) confirma a reencontrada liberdade, na fidelidade a Deus, auspiciada pelo profeta.


Evangelho: Mateus 14, 22-36

22Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. 23Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. 24O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. 27No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» 28Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» 29«Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 32E, quando entraram no barco, o vento amainou. 33Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» 34Após a travessia, pisaram terra em Genesaré. 35Ao reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-lhe todos os doentes, e pediam que os deixasse tocar ao menos na orla do seu manto. E quantos lhe tocaram foram completamente curados.

Mateus coloca a narrativa da tempestade acalmada no contexto dos episódios orientados para a formação do grupo dos discípulos (Mt 14, 13-16, 20) e antes do grande “Discurso sobre a comunidade” (c. 18). Este facto confere ao texto uma particular caracterização eclesiológica.
O evangelista já tinha narrado uma tempestade que surpreendera os discípulos enquanto o Mestre dormia (8, 23-27). Nessa ocasião, Jesus revelou-se como “Senhor do mar”, o que suscitou a pergunta sobre a sua identidade mais profunda. Jesus aproveitou para reafirmar a necessidade da fé para quem O quisesse seguir (cf. 9, 19s.). No episódio de hoje, a tempestade surge quando os discípulos avançam sozinhos pelo mar, enquanto Jesus tinha ficado a «orar na solidão» (v. 23). A sua chegada milagrosa gera nos discípulos perturbação e medo (v. 26). Mas a sua palavra serena-os e dá-lhes coragem (v. 27). Pedro até se atreve a imitar o Mestre, descendo ao mar e tentando caminhar sobre as ondas (vv. 28ss). Mas a sua fé hesita, e Jesus tem de lhe estender a mão, e mostrar-lhe que, só apoiado n´Ele, pode chegar à salvação (vv. 30ss.). A mesma experiência de salvação é feita por todos aqueles que contactam com Jesus, que assim reconhecem a sua verdadeira identidade, e podem dizer, como Pedro: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» (v. 32).


Meditatio

A vocação a que Deus chamara Jeremias tinha um duplo aspecto: «arrancar e demolir.. construir e plantar» (cf. Jr 31, 28). Nos primeiros anos da sua missão, o profeta teve de realizar, sobretudo, a primeira finalidade: proclamar mensagens de destruição. Depois da queda de Jerusalém, realizou a segunda finalidade: construir e plantar. A primeira letiura, que ainda começa com uma verificação negativa, pertence à segunda parte. Era certo que a destruição de Jerusalém, e a ruína do templo, punham os hebreus numa situação sem remédio: «A tua ferida é incurável, maligna é a tua chaga. Ninguém quer tomar a tua defesa para curar o teu mal, para o qual não há remédio» (vv. 12b-13). Mas o Senhor, pelo seu profeta, reanima a esperança, restabelece a confiança. Os castigos não visavam uma destruição definitiva, mas apenas purificar o povo infiel à Aliança. Para libertar Jerusalém pecadora, não havia outro meio senão permitir a sua destruição. Uma vez que isso tinha acontecido, era possível realizar a obra positiva. E Deus promete-a: «Restaurarei as tendas de Jacob, e terei compaixão das suas moradas. A cidade será reconstruída das suas ruínas, e os palácios reedificados no seu lugar» (v. 18). E haverá festas: «deles sairão cânticos de louvor e gritos de alegria» (v. 19). E surge uma inesperada referência ao novo chefe do povo eleito: «Dela surgirá o seu chefe, dela sairá o seu soberano. Mandarei buscá-lo e ele se aproximará de mim… oráculo do Senhor» (v. 21).
A liturgia de hoje sugere uma relação entre este oráculo sobre o chefe do povo de Deus e a vocação de Pedro. O evangelho mostra-nos o apóstolo que, inspirado, está disposto a arriscar a vida para se aproximar de Jesus, que caminhava sobre o mar: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas» (v. 28). E, «Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus» (v. 30). À palavra de Jesus, não hesitou em arriscar a vida.
É precisa coragem para arriscar a vida na tentativa de se aproximar de Jesus. E quantos o fizeram ao longo da história! Mas, quem tem responsabilidades na Igreja, há-de estar disposto para isso. Ainda lembramos, comovidos e edificados, o Papa João Paulo II que, depois do atentado na praça de S. Pedro, não se fechou no Vaticano, mas continuou a procurar o Senhor na vida da Igreja e na vida dos homens, percorrendo incansavelmente o mundo, fiel à sua missão, certo da ajuda do Senhor. Só uma fé menos viva, ou frouxa, nos pode pôr em perigo: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» (v. 31).


Oratio

Senhor, como os teus apóstolos, tenho madrugadas tempestuosas. Se Te aproximas de mim, também eu penso tratar-se de um fantasma. A tua presença nem sempre é de todo compreensível, porque a tua lógica é diferente da minha. Tenho os meus padrões, os meus esquemas sobre o modo como Te deves apresentar. Por isso, nem sempre Te vejo onde estás. Queria ver-te como resolução dos meus problemas, como antídoto contra as minhas desgraças! Mas Tu revelas-Te, como e quando queres, embora estejas sempre comigo. Porque hesito tantas vezes? Porque a salvação que me ofereces envolve toda a minha humanidade, e quer transfigurá-la à tua imagem e semelhança, o que me causa vertigens. Estende-me a tua mão misericordiosa para que, Contigo, caminhe sobre as ondas alterosas deste mundo, e chegue à segura e feliz quietude da eternidade a que me chamas. Amen.


Contemplatio

Encontro no Coração de Jesus um lugar de refúgio, um porto seguro, uma cidadela de protecção contra os inimigos da minha salvação.
«Este Coração adorável é um delicioso retiro onde viveremos ao abrigo de todas as tempestades», diz-nos Margarida Maria. – Encontrei o lugar do meu repouso. Sei onde poderei gozar a paz, é no Coração de Jesus. «Encontrei o meu bem amado, aquele que dá paz ao meu coração. Agarro-me a ele e não mais o deixarei ir-se embora» (Cântico dos Cânticos). (Leão Dehon, OSP 4, p. 56).


Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?» (Mt 14, 31).


| Fernando Fonseca, scj |
Fonte http://www.dehonianos.org/