sábado, 14 de dezembro de 2013

A alegria da vinda do Messias - 15.12.2013

Terceiro domingo do Advento – domingo gaudete, domingo em que todos somos chamados a suplicar e viver a alegria da proximidade do nascimento do Verbo que assumiu a nossa humanidade: “Alegrem-se o deserto e a terra seca… Dizei aos aflitos: Coragem! Nada de medo! Aí está o vosso Deus […], ele vem para vos salvar” (Is 35,1.4).
As obras de Cristo são desconcertantes até para João Batista. Elas exigem discernimento para poder reconhecer o tempo da visita salvífica de Deus e acolhê-lo com alegria. Por isso João, estando na prisão (v. 2), envia alguns dentre os discípulos para perguntar a Jesus: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (v. 3). Jesus responde sobre a base do texto do profeta Isaías: “... cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova” (vv. 4-5; cf. Is 35,5-6). A resposta de Jesus a João é suficiente para que este reconheça que o “hoje” da salvação se realiza nas palavras e em tudo o que Jesus faz. Em outros termos, Jesus é o Messias, não é preciso esperar outro. Os discípulos de João retornam a ele para comunicar não só a resposta de Jesus, mas também aquilo de que eles mesmos são testemunhas: a vida vai sendo transformada pela presença do Senhor. É a vez de Jesus dar testemunho de João. É preciso não se deixar levar pela aparência – João é mais que um profeta, é o precursor do Messias (cf. v. 10): “... entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior” (v. 11).
É tempo de firmar o coração, pois a vinda do Senhor está próxima (cf. Tg 5,8). Alegrai-vos!

Carlos Alberto Contieri, sj

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A rejeição e morte de João são a prefiguração da rejeição e morte de Jesus – 14.12.2013

Nosso texto do evangelho de hoje é a sequência do relato da transfiguração (Mt 17,1-8).
Tendo contemplado Elias com Moisés (cf. v. 3), os discípulos se perguntam sobre o retorno de Elias (cf. v. 10). A subtração surpreendente do profeta Elias numa carruagem de fogo dará lugar a uma crença popular segundo a qual a sua volta precederia a vinda do Messias: “E eu vos enviarei o profeta Elias, antes que chegue o dia do Senhor, grande e terrível: ele reconciliará pais com filhos, filhos com pais, e assim eu não virei para exterminar a terra” (Ml 3,23-24; Eclo 48,10). Se Elias não voltou, segundo esta crença, Jesus não é o Messias. Mas Jesus responde: “Elias já veio, e não o reconheceram” (v. 12). Jesus identifica a missão de João Batista com a do profeta Elias (cf. v. 13); João Batista não só foi rejeitado, mas maltratado e morto (cf. Mt 14,3-12; Mc 6,17-29; Lc 3,19-20). A rejeição e morte de João são a prefiguração da rejeição e morte de Jesus: “Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles” (v. 12).

Carlos Alberto Contieri, sj

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Os sinais dos tempos – 13.12.2013

O trecho do evangelho é a sequência do relato em que João Batista envia os seus discípulos a Jesus para perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?” (Mt 11,3). A pergunta de João Batista revela a sua dificuldade de discernir e compreender o novo que se vai realizando na pessoa de Jesus. A resposta de Jesus, apoiada em Is 35,5-6, é suficiente para que João reconheça o “hoje” da salvação e que Jesus é o Messias esperado.
O convite de João Batista à conversão ganhou muitos adeptos, mas também muita rejeição entre os que o ouviam: os publicanos e pecadores receberam o batismo, ao contrário dos escribas e fariseus. Na aceitação/rejeição do batismo por parte de seus contemporâneos, é prefigurada a aceitação/rejeição de Jesus. As parábolas dos vv. 16-17, explicadas nos vv. 18-19, se referem e ilustram essa rejeição dos chefes do povo. O que se aponta é a “cegueira” daqueles que deveriam orientar o povo para Deus e estar atentos aos sinais dos tempos. A surpresa de Deus exige um discernimento permanente.

Carlos Alberto Contieri, sj

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O cântico de duas mães - 12.12.2013

O relato da visita de Maria à sua prima Isabel é a conclusão dos relatos das duas anunciações (Lc 1,5-25.26-38). Assim como a gravidez de Isabel é objeto de revelação a Maria (vv. 36-37), do mesmo modo a de Maria é objeto de revelação a Isabel. A revelação de Isabel vem do fato de a criança pular em seu ventre: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e ela ficou repleta do Espírito Santo” (v. 41). A Isabel, pela graça do Espírito Santo, é dado conhecer não somente que Maria está grávida, mas que o menino é o Messias: “Como mereço que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” (v. 43). Pulando de alegria no ventre de Isabel (v. 44), João começa a realizar sua missão de precursor (cf. vv. 15-17).
A cada uma das mães, Lucas atribui um cântico. A Isabel, o do v. 42: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre”. A Maria, o Magnificat (vv. 46-55), um hino de louvor a Deus, composto com um mosaico de referências bíblicas.

Carlos Alberto Contieri, sj

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A sabedoria de Deus – 11.12.2013

“Vinde a mim todos os que desejais, fartai-vos de meus frutos” (Eclo 24,19-21).
Jesus é o Sábio, mais propriamente, a “sabedoria de Deus”, que atrai todos a si para instruí-los na Lei de Deus: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” (v. 28). O “jugo” (ou fardo) era uma peça de madeira que se punha sobre o pescoço do animal para equilibrar o peso. Na tradição bíblica, entre outros significados, ele se refere à Lei (ver: Jr 2,20; 5,5). Ao criticar os escribas e fariseus, Jesus diz que eles “amarram pesados fardos sobre os membros dos homens, mas eles mesmos nem com um dedo se dispõem a movê-los” (23,4). Há um modo de interpretar e pôr em prática a Lei que abate, que tira a alegria, expurga a vida. A Lei de Deus é para a vida e a liberdade: “Se ouves os mandamentos do Senhor teu Deus, andando em seus caminhos e observando os seus preceitos, seus estatutos e as suas normas, viverás e te multiplicarás” (Dt 30,16). “Tomai sobre vós o meu jugo... Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (vv. 29.30).
A Lei do Senhor é a Lei do amor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). O amor faz viver, está na origem da vida. O amor é a expressão máxima da vida cristã: “Ninguém teve mais amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). O Senhor entregou a sua vida por nós!

Carlos Alberto Contieri, sj

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Perdão mútuo – 10.12.2013

Nosso texto é parte do discurso eclesiológico. Um dos elementos fundamentais deste discurso é o perdão mútuo. A comunidade eclesial deve ser caracterizada pela reconciliação e pela preocupação com o outro. A parábola da ovelha perdida e reencontrada, utilizada em Lucas (Lc 15) para responder às objeções dos escribas e fariseus, é, aqui, usada para promover o interesse em resgatar os que se distanciaram da comunidade, pois “o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos” (v. 14). A vontade de Deus é prioridade na vida dos cristãos: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor!’, entrará no Reino dos céus, mas o que faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).

Carlos Alberto Contieri, sj

domingo, 8 de dezembro de 2013

É Deus quem perdoa – 09.12.2013

A fé dos que carregavam o paralítico provoca a reação de Jesus: “Homem, teus pecados são perdoados” (v. 20). Mas “quem pode perdoar os pecados, a não ser Deus?” (v. 21). Por isso os escribas e fariseus presentes vão acusar de blasfêmia a declaração de Jesus. No entanto, o passivo divino empregado – “teus pecados são perdoados” – revela que o sujeito da ação de perdoar é Deus. É Deus quem perdoa, e o mediador do perdão de Deus é Jesus. O perdão efetivo pode ser verificado pela cura: “... levantando-se diante de todos, pegou a maca e foi para casa, glorificando a Deus” (v. 25). O perdão, do qual Cristo é o mediador, liberta da enfermidade e solta a língua: no início do relato nem uma palavra foi atribuída ao paralítico; no término do relato, no entanto, ele sai “glorificando a Deus”, em reconhecimento da ação de Deus.

Carlos Alberto Contieri, sj