sábado, 7 de junho de 2014

O Senhor nos envia, da parte do Pai,o Espírito Santo. – 08.06.2014

Com a solenidade de Pentecostes encerra-se o tempo da Páscoa. A promessa da vinda do Espírito Santo feita por Jesus se realiza. A promessa do Espírito Santo para o testemunho dos discípulos (At 1,8) se realiza hoje. Elevado à Glória celeste, o Senhor nos enviou da parte do Pai o Espírito Santo que o conduziu ao longo de toda a sua vida, para que também sejamos iluminados por ele, que é o dom de Deus oferecido a nós para o testemunho de Cristo. O dom do Espírito é o dom dos tempos escatológicos, o dom definitivo de Deus como cumprimento de toda a sua promessa. Hoje, Deus derramou o seu espírito sobre “toda carne” (cf. Jl 3,1-5). A humanidade inteira é destinatária desse poder que vem do alto. O Espírito é dado para fazer compreender e viver a palavra de Jesus Cristo.
A festa cristã de Pentecostes coincide com a festa judia de Pentecostes (cf. At 1,1). De uma festa agrícola (Ex 12,15-17; Ex 34,22; Dt 16,10), o pentecostes judeu passou, no período pós-exílico, a ser a festa comemorativa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19,1). O adjetivo ordinal “pentecostes” indica o último dia de uma série de cinquenta dias. Essa coincidência intencional das duas tradições tem por finalidade fazer compreender que o Espírito Santo é a lei interna da caridade. Todo o relato dos Atos dos Apóstolos precisa ser bem compreendido para que o sentido do texto não se desvirtue nem a mensagem do texto seja prisioneira de certas concepções equivocadas. O relato possui elementos claríssimos da teofania do Sinai: barulho ensurdecedor, fogo, espanto (cf. Ex 19,16). São elementos que, na cultura bíblica de uma determinada época, indica a presença do próprio Deus. O barulho enche toda a casa do mesmo modo que o Espírito Santo enche todos os que nela estão (vv. 2.4). Depois de um elemento sonoro, tem-se um elemento visual: “como que línguas de fogo” (v. 3). Essas línguas de fogo simbolizam o poder de Deus que faz falar. O Espírito Santo é o poder de Deus que faz falar as maravilhas de Deus (v. 11), sobretudo, o que Deus fez por toda a humanidade por seu Filho Jesus Cristo. Não se trata, aqui, de glossolalia, mas um modo de afirmar a universalidade da missão da Igreja: o dom do Espírito impulsiona a Igreja a assumir cada cultura, a língua de cada povo, para poder fazer chegar a cada pessoa a graça do amor de Deus manifestada no Senhor Jesus Cristo.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Permanecer em Cristo. – 07.06.2014

A vida do discípulo que Jesus amava está profundamente vinculada ao Senhor. Essa é a característica de todo discípulo: “permanecer em Cristo”. A cada um o Senhor trata de modo particular (v. 22), respeitando-lhe a liberdade. Na comunidade dos discípulos, comparações devem ser evitadas; o mais importante é o seguimento de Jesus (v. 22). O fundamental para o leitor é que as páginas do livro que ele lê é fruto de um testemunho de fé verdadeiro (v. 24). Verdadeiro também porque nós, ouvintes e leitores do evangelho, podemos experimentar em nós os efeitos do que transmitiu com o seu livro. O muito que ele nos transmitiu nos faz viver na alegria da fé, através da qual experimentamos a vida de Deus em nós (vv. 24-25). A riqueza insondável do que Jesus ensinou e realizou não se encerra nas páginas do evangelho escrito (v. 25). Nem tudo foi retido da tradição oral, é verdade, mas o Ressuscitado continua a agir, a ensinar e instruir os seus discípulos, por seu Espírito que habita em nós.

Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A missão de Pedro. – 06.06.2014

Hoje, há um amplo acordo entre os especialistas de João de que o capítulo 21 é um acréscimo posterior, inserido para legitimar a missão de Pedro de ser o primeiro entre os iguais e, ainda, para fundar a sua missão num mandato do Senhor. Pedro não é apresentado ao longo de todo o quarto evangelho como o exemplo do homem de fé. Ele quer impedir Jesus de lavar-lhe os pés, nega o Senhor durante a paixão, depende sempre do “discípulo que Jesus amava” para reconhecê-lo presente e atuante na vida deles. A missão de Pedro, como a missão de toda a Igreja, está fundada num amor que antecede tudo e todos. Somente o amor incondicional à pessoa de Jesus, provado pela paixão e morte do Senhor, experimentado como força de vida, pode permitir que o seguimento e a missão confiada pelo Senhor de apascentar as ovelhas sejam vividos na gratuidade e na entrega generosa. Somente a experiência desse amor que perdoa é que pode conceder a Pedro a disponibilidade de ir aonde quer que o Senhor deseje que ele vá. Um dos sinais da maturidade da fé é deixar-se conduzir generosamente pelo Senhor.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A unidade é dom do Cristo ressuscitado e parte essencial do testemunho. – 05.06.2014

A oração de Jesus abre-se para o futuro: ele pede não somente para os atuais discípulos, mas para aqueles, não importa a que tempo, que abraçarão a fé. Há uma unidade, inspirada na união entre o Pai e o Filho, que permanece além de um tempo determinado da história. A unidade deve ser sempre a característica e o desafio da comunidade cristã. A unidade é dom do Cristo ressuscitado e parte essencial do testemunho. É ela o testemunho pelo qual gerações chegarão à fé. A fé é, fundamentalmente, testemunho. Assim sendo, somos responsáveis pela fé uns dos outros e das gerações futuras, pois a adesão dos outros à pessoa de Jesus Cristo depende, em boa parte, de nosso testemunho e da qualidade de nossa vida cristã. A comunhão entre os discípulos oferece a gerações futuras a possibilidade de conhecer que Jesus é o enviado do Pai. Se o mundo não conheceu Deus, foi em razão do seu fechamento. Na plenitude dos tempos Deus se revelou no seu Filho que, antes da criação do mundo, estava voltado para ele (cf. Jo 1,1). Em Jesus é que resplandece a imagem do Deus único e verdadeiro (cf. Jo 14,9). Pelo Filho o Pai se tornou conhecido dos discípulos e eles puderam fazer a experiência de que Deus é amor.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

terça-feira, 3 de junho de 2014

Jesus pede ao Pai que cuide de seus discípulos. - 04.06.2014

A súplica de Jesus ao Pai pelos discípulos é para que Deus cuide deles e os mantenha na unidade inspirada na união do Pai com o Filho. De fato, quando de sua vida terrestre, Jesus cuidou dos seus discípulos qual pastor cuida das ovelhas: conduzindo-as às verdadeiras pastagens, protegendo-as de seus inimigos e dando a sua vida por elas (cf. Jo 10,1-18). A comunhão de Jesus com o Pai é que permitiu a Jesus realizar a obra do Pai e, por isso, engajar toda a sua vida em realizar a vontade do Pai, que ele considera como seu alimento (cf. Jo 4,34). A unidade dos discípulos é fundamental para levar a cabo a missão do Senhor; o apoio mútuo é condição indispensável para não esmorecer diante da perseguição do mundo. Fazer a vontade do Pai e entregar-se para que as ovelhas não se dispersassem e tivessem vida em plenitude foi a alegria com que Jesus viveu a sua vida. Dessa alegria os discípulos participam à medida que cumprem o mandamento do amor fraterno e se engajam na realização da vontade de Deus. Mas a oração de Jesus ao Pai, para que o Pai cuide dos seus discípulos, visa, também, pedir que eles sejam livres das seduções do mundo. Se deixar envolver por essas seduções seria permitir o fracasso e o desvirtuamento da missão.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Oração de Jesus dirigida ao Pai. – 03.06.2014

Parte do discurso de despedida de Jesus, o capítulo 17 é comumente conhecido como a oração sacerdotal de Jesus. Próprio do sacerdote é oferecer a Deus, pelo povo, sacrifícios e súplicas. O sacrifício oferecido por Jesus é o da sua própria vida e as súplicas, ofereceu-as em favor dos seus discípulos para permanecerem fiéis e não esmorecerem diante da perseguição do mundo. Trata-se da parte final do discurso de despedida, que é uma longa oração de Jesus dirigida ao Pai. Essa oração tem como ponto fundamental a comunhão entre o Pai e o Filho: a obra que o Filho realiza tem como finalidade manifestar a Glória de Deus, isto é, revelar o mistério de Deus: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Realizando a obra de amor, o Filho glorifica o Pai e é glorificado por Ele, isto é, é revelado pelo Pai que o ressuscitou dos mortos. Pela ressurreição chega-se a conhecer o que ele era antes da criação do mundo (cf. Jo 1,1). Por essa comunhão, o Pai deu ao Filho o poder de conceder a vida eterna. A vida eterna dada pelo Filho é comunhão com o Pai e com aquele que Ele enviou, Jesus Cristo.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

domingo, 1 de junho de 2014

A incredulidade é uma das razões fundamentais do medo. – 02.06.2014

A incredulidade não é superada pela compreensão de que Jesus é o enviado do Pai. A fé exige uma adesão incondicional à pessoa de Jesus. A reação de Jesus ante a observação dos discípulos é enigmática. A expressão pode ter, ao menos, dois significados: pode denunciar a pretensão dos discípulos de imaginarem ter compreendido o mistério de Jesus Cristo enviado do Pai para a salvação do mundo ou, ainda, denunciar que eles permanecem mergulhados na ignorância. Ora, somente a experiência, mediada pelo Espírito Santo, é que pode fazer compreender o mistério presente nas palavras e gestos de Jesus. É exatamente nisso que consiste a promessa de Jesus para depois da ressurreição (cf. Jo 16,12-15). A incredulidade é uma das razões fundamentais do medo. Diante da paixão e morte de Jesus, os discípulos o abandonarão. A incredulidade é uma das razões importantes do medo que dispersa e abandona. Os discípulos deverão passar pela dura prova da paixão e morte de Jesus para poderem chegar à verdadeira fé. Mas se os discípulos abandonarão Jesus, o Pai que é sempre fiel permanecerá com ele (v. 32c). A vitória do Cristo ressuscitado deve encorajar os discípulos a não esmorecerem ante o desafio da missão e a perseguição.


Fonte Carlos Alberto contieri, sj - Paulinas