Com a solenidade de Pentecostes encerra-se o tempo da
Páscoa. A promessa da vinda do Espírito Santo feita por Jesus se realiza. A
promessa do Espírito Santo para o testemunho dos discípulos (At 1,8) se realiza
hoje. Elevado à Glória celeste, o Senhor nos enviou da parte do Pai o Espírito
Santo que o conduziu ao longo de toda a sua vida, para que também sejamos
iluminados por ele, que é o dom de Deus oferecido a nós para o testemunho de
Cristo. O dom do Espírito é o dom dos tempos escatológicos, o dom definitivo de
Deus como cumprimento de toda a sua promessa. Hoje, Deus derramou o seu
espírito sobre “toda carne” (cf. Jl 3,1-5). A humanidade inteira é destinatária
desse poder que vem do alto. O Espírito é dado para fazer compreender e viver a
palavra de Jesus Cristo.
A festa cristã de Pentecostes coincide com a festa judia de
Pentecostes (cf. At 1,1). De uma festa agrícola (Ex 12,15-17; Ex 34,22; Dt
16,10), o pentecostes judeu passou, no período pós-exílico, a ser a festa
comemorativa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19,1). O adjetivo ordinal
“pentecostes” indica o último dia de uma série de cinquenta dias. Essa
coincidência intencional das duas tradições tem por finalidade fazer
compreender que o Espírito Santo é a lei interna da caridade. Todo o relato dos
Atos dos Apóstolos precisa ser bem compreendido para que o sentido do texto não
se desvirtue nem a mensagem do texto seja prisioneira de certas concepções
equivocadas. O relato possui elementos claríssimos da teofania do Sinai:
barulho ensurdecedor, fogo, espanto (cf. Ex 19,16). São elementos que, na
cultura bíblica de uma determinada época, indica a presença do próprio Deus. O
barulho enche toda a casa do mesmo modo que o Espírito Santo enche todos os que
nela estão (vv. 2.4). Depois de um elemento sonoro, tem-se um elemento visual:
“como que línguas de fogo” (v. 3). Essas línguas de fogo simbolizam o poder de
Deus que faz falar. O Espírito Santo é o poder de Deus que faz falar as
maravilhas de Deus (v. 11), sobretudo, o que Deus fez por toda a humanidade por
seu Filho Jesus Cristo. Não se trata, aqui, de glossolalia, mas um modo de
afirmar a universalidade da missão da Igreja: o dom do Espírito impulsiona a
Igreja a assumir cada cultura, a língua de cada povo, para poder fazer chegar a
cada pessoa a graça do amor de Deus manifestada no Senhor Jesus Cristo.
Fonte Carlos Alberto Contieri,
sj - Paulinas
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