sábado, 7 de dezembro de 2013

Bendita aquela que acreditou. – 08.12.2013

O dogma da Imaculada Conceição foi definido em 1854, pelo Papa Pio IX, na bula Ineffabilis Deus, em que, resumidamente, ele afirma: “Declaramos, pronunciamos e definimos como doutrina revelada por Deus o quanto segue: A Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original”. O dogma da Imaculada Conceição está em função da encarnação do Verbo de Deus.
O texto do evangelho proposto para esta festa é o anúncio do anjo Gabriel a Maria. Este relato faz parte de um conjunto de textos denominado de “evangelhos da infância” (Mt 1–2; Lc 1–2). Lucas relaciona o anúncio do nascimento de Jesus à gravidez de Isabel: “... no sexto mês… o anjo Gabriel foi enviado por Deus... a uma virgem…” (v. 26). Isto se explica porque os evangelhos da infância, em Lucas, estão construídos num paralelismo constante entre João Batista e Jesus, com a finalidade de mostrar que Jesus é maior que João: João Batista é o precursor, Jesus, o Messias. O relato enfatiza a iniciativa absoluta de Deus na encarnação do seu Filho (cf. v. 35).
Maria é a que recebeu o favor de Deus (cf. v. 28), isto é, a que foi especialmente favorecida por Deus. O favor de Deus a Maria se manifesta na sua eleição para ser a mãe do Filho de Deus. A iniciativa de Deus na encarnação do Verbo conta com a colaboração do ser humano: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?” (v. 34). Se a idade e a esterilidade de Isabel e Zacarias foram divinamente superadas na concepção de João Batista, a dificuldade humana da virgindade de Maria deve ser superada pelo poder divino na concepção de Jesus. E, segundo Lucas, o foi pela intervenção do Espírito Santo, o “poder do Altíssimo” (v. 35).
Na sua resposta: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (v. 38), Maria identifica-se com Ana, mãe de Samuel (cf. 1Sm 1,11). Na sua visita a Isabel, ela será caracterizada por aquela que creu: “Bendita aquela que creu: o que lhe foi dito da parte do Senhor se cumprirá!” (v. 45).

Carlos Alberto Contieri, sj

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Proximidade do Reino de Deus – 07.12.2013

O v. 35 é um sumário da atividade de Jesus. A vida de Jesus, o que ele ensina e faz, é proclamação e testemunho da proximidade do Reino de Deus. A compaixão (v. 36) leva Jesus ao encontro das pessoas e a se deixar encontrar por elas. É com este sentimento divino que os Doze são enviados e deverão realizar a missão que recebem do Senhor. Eles serão poucos, dadas as exigências da missão, por isso deverão pedir Àquele que tudo conhece (cf. Sl 139[138]) para que conceda a ajuda necessária e adequada (cf. v. 37).
O capítulo 10 é um dos muitos discursos de Jesus no evangelho segundo Mateus. É denominado “discurso missionário”. Para a missão Jesus concede aos Doze “poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e enfermidade” (10,1). O poder concedido é o poder de Jesus, o Espírito Santo, “força do Alto” (cf. At 1,8). Os destinatários prioritários, não exclusivos, são as “ovelhas perdidas da casa de Israel” (v. 6; cf. 9,13; Lc 19,10). O objeto da proclamação é a proximidade do Reino dos Céus (cf. v. 7). Este anúncio deve ser acompanhado da ação que liberta as pessoas do mal que desfigura o ser humano e o faz experimentar-se distante de Deus (cf. v. 8a). O que é dado como dom por Deus aos apóstolos, o Espírito Santo, deve ser oferecido gratuitamente a tantos quantos eles encontrarem (cf. v. 8b).

Carlos Alberto Contieri,sj

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Jesus caminha fazendo o bem – 06.12.2013

Jesus é um pregador itinerante e, por onde passa, vai fazendo o bem, dando boa acolhida aos pecadores (Mt 9,1-8.18-26). Enquanto está a caminho, dois cegos gritam insistentemente por compaixão: “Tem compaixão de nós, filho de Davi” (v. 27). Em casa, o diálogo de Jesus com eles suscita-lhes a fé (cf. v. 28).
O gesto da cura é acompanhado da palavra que o explica: “[Jesus] tocou nos olhos deles, dizendo: ‘Faça-se conforme a vossa fé’” (v. 29). Ao centurião que suplicava pela saúde do seu servo, Jesus disse: “Vai e aconteça como acreditaste” (8,13); será o caso também de outra pagã, uma mulher Cananeia: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres” (15,28). É estabelecida uma relação entre a fé e a cura. A fé não é a causa da cura, mas a confiança em Jesus abre o coração para receber a cura como dom. A fé é a cura de tantos males do coração do ser humano. O nosso texto continua: “E os olhos deles se abriram” (v. 30a) – o que nos faz lembrar uma vez mais Is 35,5 e a promessa dos tempos messiânicos: “E os olhos dos cegos se abrirão”. Aqui, como no texto que dá origem a este relato (Mc 10,46-52), a questão é a fé que faz ver; a fé em Jesus Cristo é verdadeira iluminação. A interdição de não falar a ninguém acerca do acontecido (cf. v. 30b) tem por função evitar equívocos e abrir as pessoas para a novidade, podemos dizer, do messianismo revelado em Jesus.

Carlos Alberto Contieri,sj

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ouvir e pôr em prática - 05.12.2013

Nossa perícope é a conclusão do discurso denominado “Sermão da Montanha” (MT 5–7). Não são as muitas palavras ou o louvor estéril que caracterizam o discípulo, mas o seu engajamento afetivo e efetivo em realizar a vontade de Deus: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’, entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (v. 21). Trata-se de ouvir e pôr em prática a palavra do Senhor, pois, de alguma maneira, nesta palavra de vida está a vontade de Deus para cada um. É esse dinamismo de escuta e prática da palavra do Senhor que dá solidez à Igreja, comunidade dos discípulos, “que construiu sua casa sobre a rocha” (v. 24) da fé.

Carlos Alberto Contieri, sj

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Jesus e a multidão – 04.12.2013

As multidões acorrem a Jesus levando toda sorte de enfermos para serem curados por ele. A admiração da multidão acerca de tudo o que Jesus fazia é dita com os termos de Is 35,5, que tem um alcance messiânico. Segue-se o segundo relato da multiplicação dos pães (vv. 32-37). Os discípulos são apresentados como mediadores entre Jesus e a multidão (cf. v. 36). O relato tem uma forte conotação eucarística (cf. v. 36). Jesus é o verdadeiro alimento do povo que ele reúne, não somente judeus, mas pagãos igualmente.

Carlos Alberto Contieri, sj

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Jesus revela o Pai – 03.12.2013

Nossa perícope está situada na parte central do evangelho segundo Lucas, na subida de Jesus para Jerusalém, e por ocasião da volta dos setenta e dois discípulos (Lc 10,17-20) que Jesus havia enviado em missão (vv. 1-16)
O trecho de hoje é um hino de louvor dirigido ao Pai, Criador do céu e da terra. O motivo do louvor é este: “... escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (v. 21), pois assim Deus queria (cf. v. 21). “Essas coisas” referem-se ao que é dito no v. 22, que, resumindo, se poderia dizer: Jesus revela o Pai. “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15). Somente quem recebe Jesus como dom, somente o “pobre em espírito” (cf. Mt 5,3), pode conhecer a relação filial que une Jesus a Deus. Ao pedido de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai!”, Jesus responde: “Quem me vê, vê o Pai. Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim?” (Jo 14,8-11).

Carlos Alberto Contieri,sj

domingo, 1 de dezembro de 2013

Fé e universalidade da salvação – 02.12.2013

Este episódio, presente também em Lucas e João (Lc 7,1-10; Jo 4,46-53), é a ocasião para afirmar a universalidade da salvação trazida por Jesus e a eficácia de sua palavra. No centro do episódio está a fé do centurião na palavra do Senhor, que o cristão deve imitar.
O centurião, chefe de cem soldados, é um pagão. A súplica do centurião a Jesus é por um servo seu, que ele estimava muito. Para o centurião o valor essencial parece ser a vida. Ele mesmo não se diz impuro, pois isso é um conceito judaico-religioso. Ele parece conhecer as normas dos judeus quanto à pureza, por isso diz: “Senhor, eu não sou digno…” (v. 8). Dizer-se indigno é reconhecer a autoridade de Jesus. O Senhor acolhe a todos e pretende ir à casa do centurião. No entanto, o chefe pede que Jesus simplesmente dê uma ordem, pois é o poder da palavra que importa. A fé do centurião causa uma profunda admiração em Jesus. A fé do pagão ultrapassa à manifestada em Israel. O v. 11 aponta para a universalidade da salvação: “Muitos virão do oriente e do ocidente e tomarão lugar à mesa no Reino dos Céus, juntamente com Abraão, Isaac e Jacó” (v. 11).

Carlos Alberto Contieri, sj