segunda-feira, 7 de julho de 2014

Por onde passa, o Senhor suscita a vida e o gosto de viver. – 08.07.2014

A impressão que o evangelho nos deixa é que os dias de Jesus eram marcados por oração, encontros, atividades, deslocamentos de um lugar para o outro (Mc 3,20-21). Depois da cura de dois cegos (vv. 27-31), vem a cura do mudo seguida de um sumário. O termo grego kofós pode significar incapacidade de falar, incapacidade de ouvir ou ambas as coisas, o que parece ser o caso do nosso texto, pois se diz que, curado, o homem começou a falar (v. 33). Para a mentalidade da época, a mudez é atribuída a um demônio; por isso, a cura é precedida de um exorcismo. A cura do mudo é sinal dos tempos messiânicos (Is 35,5-6). O mal, de fato, impede de falar e de falar bem, assim como impede de escutar o Verbo de Deus. Chama a atenção o contraste entre a reação da multidão e a dos fariseus. Enquanto a multidão reconhece a novidade e o surpreendente do acontecido na cura do mudo, os fariseus, ícones da resistência a Jesus, afirmam que em Jesus não há nada de novo, ao contrário, ele é, na visão deles, instrumento de satanás. Jesus é um Messias itinerante. Por onde passa, o Senhor suscita a vida e o gosto de viver.

Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

domingo, 6 de julho de 2014

É pela fé que se recebe a vida como dom. – 07.07.2014

Com variações próprias de cada evangelista, o nosso evangelho de hoje pertence à tríplice tradição. Entre a súplica do chefe da sinagoga, que é uma verdadeira profissão de fé, e a chegada à casa dele, há o relato da cura da mulher que, há doze anos, sofria com uma hemorragia. Para o imaginário religioso do mundo bíblico, perder sangue equivale a perder a vida, que é dom de Deus. Ao contrário de Marcos e Lucas, Mateus não menciona que a mulher tocou nas vestes de Jesus. O desejo dela será suficiente para que Jesus a declare curada. A fé dela não foi a causa da cura, mas a condição para receber a vida do Senhor e reconhecer a recuperação da vida como dom. Não podemos nos dar a vida; nós a recebemos gratuitamente de Deus. É pela fé que se recebe a vida como dom. Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, Jesus já encontra o ambiente fúnebre. Para os cristãos que nasceram pela fé no Cristo ressuscitado, os ritos fúnebres perderam completamente o sentido (1Ts 4,13-14), pois a morte era comparada ao sono. Jesus é quem toma a iniciativa de pegar a menina pela mão, para despertá-la do sono. É o Senhor da vida que, ressuscitado, faz a nossa humanidade participante da sua vitória. É ele que nos desperta do “sono” para o dia da feliz ressurreição.

Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

sábado, 5 de julho de 2014

É Jesus quem revela o Pai. – 06.07.2014

O profeta Zacarias viveu no século VI a.C., depois do retorno a Judá dos exilados na Babilônia. O livro que leva o nome do profeta Zacarias tem, ao todo, quatorze capítulos. No entanto, o livro não pertence a um mesmo autor. Duas ou mais mãos o escreveram. É geralmente aceito que os oito primeiros capítulos pertencem ao profeta e o restante a outro ou vários outros autores. Os dois versículos de nosso texto falam da volta vitoriosa e triunfante do rei à sua cidade, Jerusalém. Não se trata de um monarca da descendência davídica. O rei de que se fala nesses versículos é o próprio Deus que combate em favor do seu povo, destruindo todos os instrumentos de guerra e violência para selar a paz entre todas as nações.
Teria sido, em certo sentido, surpreendente para Jesus experimentar que aqueles que se diziam sábios, conhecedores e intérpretes da Palavra de Deus fossem os que lhe fizessem oposição, engajando-se em fazê-lo perecer. O contexto da perícope de hoje é a crítica de Jesus às cidades vizinhas ao Mar da Galileia que, beneficiadas pelo ensinamento e pelos atos de poder de Jesus, não se converteram, não se abriram ao sopro de sua palavra nem aderiram à sua pessoa. O hino de louvor de Jesus dirigido ao Pai é uma clara oposição a essas cidades que não se converteram. O que é escondido aos que se pretendem sábios e entendidos e o que é revelado aos “pobres de espírito”? O que está dito no v. 27 pode ser compreendido nesses termos: é Jesus quem revela o Pai. Somente quem se abre para reconhecer e aceitar Jesus como enviado do Pai é que pode conhecer a relação filial que une profundamente Jesus e Deus (cf. Jo 14,10-11; Cl 1,15). Jesus é não somente o Sábio, mas a “Sabedoria de Deus” que atrai todos a si e os instrui na Lei que o Senhor deu ao povo para preservar o dom da vida e da liberdade. O evangelho de hoje termina com um convite de Jesus àqueles que ainda estão fora do grupo dos seus discípulos. O “jugo” (ou fardo) era uma peça de madeira colocada sobre o pescoço do animal para equilibrar o peso que ele carregava. Na tradição bíblica, entre outros significados, ele se refere à Lei (Jr 2,20; 5,5). Jesus critica os escribas e fariseus por amarrarem pesados fardos sobre os ombros dos outros (Mt 23,4). Há um modo de interpretar a Lei e de pô-la em prática que tira a alegria e a vida, como se fosse um enorme peso a carregar. Ora, a Lei de Deus é para a vida e a liberdade, ela é um caminho para a vida e a felicidade (cf. Dt 30,16). Jesus, manso e humilde, se oferece para aliviar tal peso. A lei do Senhor é a lei do amor (Jo 15,12). No amor não há temor nem amargura.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O jejum recebe, no novo tempo, um sentido cristológico. – 05.07.2014

Qual jejum é objeto da controvérsia? É difícil imaginar que se trate do jejum prescrito pela Lei por ocasião da festa do perdão dos pecados (Lv 16,29-31; 23,27-32). É bastante provável se tratar das práticas devocionais do partido dos fariseus que eles visavam impor como obrigatórias para todo o povo. Dos fariseus nós sabemos que eles jejuavam duas vezes por semana (Lc 18,12), mas da prática dos discípulos de João não temos nenhuma informação. Seja como for, a resposta de Jesus situa a questão noutra perspectiva. Na plenitude dos tempos (Gl 4,4) a questão do jejum encontra seu sentido em referência à presença ou ausência do Messias. A imagem da festa de casamento para simbolizar os tempos messiânicos é atestada no Antigo Testamento (Is 61,10; 62,5). Ainda que a metáfora do Messias como esposo não se encontre nos textos veterotestamentários, a ideia que essas imagens transmitem é o que importa: as práticas penitenciais devocionais para apressar a vinda do Messias são obsoletas, pois ele já se encontra presente. O jejum recebe, no novo tempo, um sentido cristológico: quando o Messias for tirado, referência à morte de Jesus, aí será o tempo de jejuar. Para essa novidade é que as duas parábolas (vv. 16-17) são convites a se abrir.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Jesus vai onde estão os pecadores para encontrá-los . – 04.07.2014

“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores para que se convertam” (Lc 5,32). Ninguém está excluído da salvação, desde que a aceite como dom e livremente. A missão de Jesus é para aqueles que precisam de médico (v. 12; Lc 5,31; Ex 15,26; Jr 8,22). Mateus, chamado por Jesus, é publicano e, como tal, considerado impuro pelo simples fato de sua profissão. O texto da língua original, ao contrário da tradução em vernáculo acima, não deixa claro se a refeição foi na casa de Mateus, ao contrário de Marcos e Lucas, que o dizem explicitamente (Mc 2,15; Lc 5,29). Aqui, no texto de Mateus, tem-se a impressão de que Jesus acolhe na sua própria casa os coletores de impostos e pecadores (v. 10). Talvez seja uma ambiguidade intencional: Jesus vai onde estão os pecadores para encontrá-los (Lc 15) e os pecadores são recebidos no Reino de Deus por Jesus. A citação de Oseias 6,6, ao mesmo tempo que descortina o mal dos que criticam a atitude de Jesus de acolher os pecadores, apresenta a misericórdia como objeto do desígnio de Deus para todo o povo. O sacrifício de nada serve se ele não ajudar a pessoa a ser “misericordiosa como Deus é misericordioso” (Lc 6,36).

Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Tomé não crê no testemunho dos discípulos. – 03.07.2014

Costumou-se, entre nós, rotular Tomé de o homem da dúvida, teimoso ou incrédulo. Mas a compreensão do relato de Tomé não pode ser prisioneira da tradição popular que, ainda que legítima, não faz jus à riqueza da perícope. Cremos que a seguinte pergunta pode nos ajudar a entrar na mensagem pretendida pelo autor do relato: Como se chega à fé em Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos? Tomé não crê no testemunho dos discípulos que fizeram a experiência de que Jesus ressuscitado estava presente no meio deles. Tomé tinha a pretensão de chegar à fé por si mesmo. Aí reside, de fato, o problema, pois a fé é, essencialmente, testemunho. Por isso, o Senhor repreende Tomé e, por ele, o seu Gêmeo, isto é, a comunidade cristã (vv. 27-29). É através do testemunho que se chega à fé e que se pode experimentar os frutos da ressurreição do Senhor. A fé é tradição e, como tal, supõe o dinamismo de recepção e transmissão. Dito em outras palavras, é preciso dar crédito ao testemunho para poder experimentar o que ele transmite.

Fonte Paulinas

terça-feira, 1 de julho de 2014

Jesus é proclamado vitorioso sobre o mal. – 02.07.2014

Toda a cena se desenvolve num ambiente de impureza: a região pagã dos gadarenos, os dois homens violentos dominados por espíritos impuros, a menção dos túmulos, mortos e porcos. O mal, ou os muitos males, que, por vezes, habita o ser humano, desfigura-o. Expulsando e dominando os espíritos impuros, Jesus é proclamado vitorioso sobre o mal e todas as suas manifestações. Até mesmo a pagãos a salvação de Jesus é realizada.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas