quarta-feira, 30 de abril de 2014

A vida dada pela fé em Jesus Cristo – 07.05.2014

O longo discurso sobre o pão da vida é uma catequese sobre a Eucaristia na qual o povo de Deus é sustentado com o alimento espiritual. A vida do ser humano não se reduz ao seu bem-estar material. No ser humano criado por Deus há uma sede, um anseio de vida plena e de Deus. Se pão e água são essenciais para a existência do ser humano, eles não podem dar à vida do homem sentido nem fazer com que experimente a vida em plenitude. No agradecimento depois da Eucaristia, a Didaqué sugere a seguinte oração: “Tu, Senhor Todo-poderoso, criaste todas as coisas por causa do teu Nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e bebida espirituais, e uma vida eterna por meio do teu Servo” (Didaqué, X, 3). Para chegar à fé em Jesus é preciso não se deixar deter pelas aparências; é preciso o olhar do coração purificado pela ação do Espírito Santo. Noutras palavras, é indispensável “nascer do alto”. Somente nessa vida nova é que se pode reconhecer que a missão de Jesus é fazer a vontade do Pai que o enviou (v. 38). A vontade do Pai é que todos possam aceitar participar da vida divina, a vida eterna. Essa vida é dada pela fé em Jesus Cristo.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

O pão descido do céu. – 06.05.2014

A multidão saciada e que insistentemente procura Jesus e é por ele flagrada no seu interesse e equívoco, interroga-o acerca do sinal ou da obra que ele realiza. Lembremos que na boca dos opositores de Jesus e da multidão a palavra “sinal” tem um sentido muito diferente do que o empregado pelo evangelista no livro dos sinais. Para eles, “sinal” é uma obra espetacular, quase cinematográfica, sobrenatural, em benefício de quem a realiza. O sinal seria para eles uma prova inequívoca da verdadeira identidade de Jesus. É o que satanás sugere a Jesus ao provocá-lo para saltar do pináculo do Templo (Mt 4,5-7; Lc 4,9-11). Uma vez mais parece que os que interrogam Jesus estão mergulhados no equívoco: não foi Moisés quem, na travessia do deserto, havia dado ao povo o maná, mas Deus mesmo (cf. Ex 16,4). Mais ainda, o maná era somente figura do verdadeiro pão que Deus haveria de dar e que, agora, efetivamente dá ao seu povo. Jesus Cristo é esse pão descido do céu, isto é, dado por Deus, que sustenta quem nele crê e nele põe a sua confiança.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

O pão que dá a vida – 05.05.2014

Depois do episódio dos pães, em que a multidão comeu à saciedade, e ante a tentativa de proclamá-lo rei, Jesus se retira, sozinho, ao monte (Jo 6,15). Jesus rejeita terminantemente qualquer tentativa de compreender ou reduzir a sua missão a uma dimensão estritamente político-social (cf. Mt 4,3-4; Lc 4,3-4). Por isso, se recolhe ao monte para rezar. À multidão que o procura insistentemente, Jesus declara o equívoco dela: não o procura porque o que ele faz remete ao mistério de Deus; procuram-no somente para satisfazer suas necessidades corporais (v. 26). No entanto, a vida do ser humano não se reduz ao bem material. O alimento que o Senhor oferece é de outra natureza, não perecível e que introduz na vida eterna. Mais adiante, Jesus afirmará que o pão que dá a vida é ele mesmo (Jo 6,48). Mas, para receber esse alimento, é preciso crer em Jesus, enviado do Pai. É pela fé em Jesus que se recebe esse alimento de vida eterna. A “obra de Deus”, o fazer exigido, é crer em Jesus, “imagem do Deus invisível”. Ademais, é preciso procurar o Senhor pelo Senhor, e não por aquilo que nos possa dar. Essa gratuidade se impõe a quem queira ser sustentado pelo “pão descido do céu".


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

terça-feira, 29 de abril de 2014

Do ver ao reconhecer – 04.05.2014

A riqueza do evangelho é tal que ele precisa ser saboreado internamente. Todo o capítulo 24 de Lucas pode ser considerado como um resumo de todo o seu evangelho. Cada um dos evangelhos é fruto da experiência pascal dos discípulos. Nesse sentido, trata-se de um testemunho de fé. Cada trecho do evangelho é uma verdadeira Páscoa: da cegueira à visão, da enfermidade à cura, da morte à vida, da tristeza à alegria, da falta da esperança à esperança, do ódio e rancor ao amor. O relato dos discípulos de Emaús é, do início ao fim, uma Páscoa. O caminho que separa Jerusalém de Emaús é metáfora de um caminho muito mais longo, o caminho através das Escrituras, em que a lição de exegese dada por Jesus aos dois discípulos oferece condições de eles reconhecerem o Senhor no partir o pão.
A morte de Jesus representou uma forte frustração para aqueles que punham nele as esperanças messiânicas (cf. v. 21) e fez com que, por um instante, a comunidade dos discípulos entrasse em crise. O nosso texto visa transmitir o fato que permitiu a passagem do abatimento à alegria, do ver ao reconhecer. O espaço teológico-espiritual entre o ver e o reconhecer permitiu a Jesus a lição de exegese. No tempo do reconhecimento os discípulos confessarão que foi ela que os transformou (cf. v. 32). A explicação e compreensão da Escritura, à luz da ressurreição do Senhor, abriram os olhos para o reconhecimento. A primeira ressurreição, para os discípulos é, então, a da memória. Eles compreenderam, então, que o Senhor que se apresenta vivo no meio deles, de alguma forma, estava presente em toda a Escritura que, por sua vez, encontra nele sua plenitude e sentido. Quando do reconhecimento o Senhor desapareceu da vista deles. É que a visão física não é mais necessária para “ver” o Senhor. Mesmo invisível aos olhos, o Senhor está e permanecerá presente. A invisibilidade não significa, no que diz respeito à fé, ausência. Fato, aliás, que eles nem sequer mencionam, como se a visibilidade não tivesse a menor importância. O que retém a atenção deles, e torna-se objeto da mensagem transmitida aos demais discípulos, é o acontecido no caminho para Emaús, no tempo que precedeu o reconhecimento (cf. v. 35), tempo de escuta, em que o Mestre ressuscitado continua a instruir os seus discípulos. Se a morte dispersou os discípulos, a experiência do Ressuscitado os congrega (cf. v. 33).


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

Jesus imagem do Deus invisível. – 03.05.2014

A nossa fé é apostólica, ela depende do testemunho dos apóstolos que foram testemunhas oculares de tudo o que Jesus fez e ensinou. Por isso, a festa dos apóstolos Filipe e Tiago é a ocasião de agradecermos a Deus por aqueles que nos precederam e pela fé que nos transmitiram. O evangelho deste dia é parte do discurso de despedida de Jesus (13,31–14,31). O discurso é interrompido algumas vezes pela intervenção de um dos discípulos. Do ponto de vista retórico, essas intervenções fazem o discurso avançar e permitem a Jesus esclarecer questões importantes acerca do seu destino e da vida dos seus discípulos. O pedido de Filipe, repetido por Jesus (v. 9), revela a incompreensão e a incredulidade dos discípulos (v. 10), a dificuldade de poder entrar no mistério de Deus revelado em Jesus. A comunhão de Jesus com o Pai é tal (v. 10) que estar diante de Jesus é estar diante de Deus. O que é dito a Nicodemos vale para os discípulos: “É preciso nascer do alto” (Jo 3,7). A verdade é essa: Jesus “é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15). Os discípulos terão de passar pela dura prova da paixão e morte de Jesus para que, à luz da ressurreição, possam compreender que na vida de Jesus a graça de Deus habitava em plenitude.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

Qual é o verdadeiro alimento do povo que o Cristo atrai e reúne? – 02.05.2014

O relato dos pães precede o longo discurso do “pão da vida” (Jo 6,35-58). Encontramos esse relato também na tradição sinótica (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17). A multidão é atraída a Jesus pelos sinais que ele fazia em favor dos doentes. Para o evangelista, o que Jesus fazia em favor dos enfermos é “sinal”, mas não é o caso para a multidão. Basta nos remetermos à crítica que Jesus faz aos que o procuravam, depois do acontecimento dos pães (cf. Jo 6,26). Por sua própria natureza, o sinal é ambíguo; precisa ser compreendido e discernido para que remeta a pessoa à realidade para a qual ele aponta. A evocação da Páscoa dos judeus (v. 4) é importante, uma vez que ela nos faz ler e compreender o relato à luz da Páscoa de Jesus Cristo, em que Deus selou uma Aliança definitiva com o seu povo. A pergunta posta por Jesus a Filipe é para testá-lo (vv. 5-6). Lido à luz da Páscoa do Senhor, o relato põe implicitamente para o leitor outra questão: Qual é o verdadeiro alimento do povo que o Cristo atrai e reúne? A resposta será exaustivamente explicitada no discurso do pão da vida.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas

Um sopro que dá alento à vida. – 01.05.2014

O evangelho de hoje pertence, com variações próprias a cada evangelista, à tríplice tradição (Mc 6,1-6; Lc 4,16-24). Depois de um longo discurso em parábolas, junto ao mar da Galileia (13,1-52), Jesus vai para Nazaré onde, na sinagoga, ensina os que lá estavam (v. 54). Se o evangelista se limita a dizer que Jesus ensina na sinagoga de Nazaré sem explicitar o conteúdo do ensinamento, ele põe ênfase na admiração que tal ensinamento causa nos que estavam presentes na sinagoga. A admiração é causada pela sabedoria e pela força do ensinamento de Jesus. A palavra “milagre”, que é da tradução latina, não aparece no texto grego, mas sim dynamis (poder, força). O ensinamento de Jesus, certamente um comentário livre sobre uma passagem da Escritura, faz sentido para os que estão presentes e, ao mesmo tempo, tem força de persuasão; tal ensinamento, nós o experimentamos ainda hoje, comunica ânimo, um sopro que dá alento à vida. Mas a reação do público é paradoxal, pois a resistência ofusca a sua inteligência (vv. 55-57a). Se não fosse a incredulidade, eles mesmos seriam capazes de responder à questão que se põem (v. 54b). Uma consideração puramente humana e o fechamento numa ideia equivocada do Messias lhes impedem de dar o salto da fé e se abrirem à novidade de Deus revelada em Jesus Cristo.


Fonte Carlos Alberto Contieri, sj  - Paulinas